A segunda temporada de X-Men ’97 começou dando um recado claro de que nada vai ser previsível dessa vez — nem a abertura da série. No segundo episódio, a vinheta que os fãs conhecem de cor foi completamente substituída, trocando os X-Men por outro grupo: a implacável X-Force, num movimento que a própria produção descreve como a mudança mais radical já feita na sequência de abertura em 34 anos de história da franquia mutante.
Por que a abertura mudou
A justificativa está na própria trama: nesta temporada, os heróis foram separados e espalhados por diferentes pontos da linha do tempo, com um grupo preso em 3.000 a.C. e outro lidando com um futuro devastado. Esse fio narrativo abriu espaço para aberturas alternativas a cada episódio — e o capítulo focado na X-Force foi o mais ousado até agora, deixando os X-Men de fora pela primeira vez desde a estreia da animação.
De onde vem a X-Force
Criada por Rob Liefeld em 1991 nos quadrinhos, a X-Force sempre representou o lado mais sombrio das histórias de mutantes: uma equipe de anti-heróis dispostos a recorrer a métodos que os X-Men tradicionais jamais aceitariam. Na série, o grupo responde diretamente a Cable, que trata seus integrantes como soldados numa guerra sem fim contra Apocalipse — chegando a descrevê-los como uma unidade de operações secretas. Essa moldura também aprofunda a relação de Cable com Ciclope e Jean Grey, seus pais, dando um peso familiar extra à sua missão.
Quem forma o time
A escalação reúne nomes conhecidos dos fãs, com destaque para Jubileu, que funciona como fio condutor da temporada em uma versão bem diferente da que o público acompanhou até aqui. Mancha Solar, o herói brasileiro apresentado na primeira fase da série, também retorna — o que faz sentido histórico, já que nos quadrinhos ele integrou a formação original da equipe. Completam o grupo Arcanjo e Psylocke, dupla que teve papéis centrais nas HQs da X-Force nos anos 2000. Curiosamente, o principal obstáculo do time não é um vilão clássico, mas o X-Factor, outro grupo derivado do universo mutante — a trama chega a resgatar a polêmica história em que Ciclope teria formado uma equipe paralela para capturar publicamente mutantes considerados perigosos.
A grande reviravolta: o novo lado de Jubileu
O ponto mais discutido da temporada, porém, é a própria Jubileu. Tudo indica que a série fundiu a personagem com Tabitha Smith, a Boom Boom, integrante clássica da X-Force nos quadrinhos — as duas compartilham o mesmo arquétipo dos anos 1990, de garotas sarcásticas, cheias de atitude e com poderes explosivos. O resultado é um arco desconfortável à primeira vista, mas que ecoa o próprio choque que os leitores tiveram em 1991, quando os Novos Mutantes viraram uma equipe de operações moralmente cinzenta. Ainda assim, a mudança faz sentido dentro da proposta da temporada e promete um dos arcos mais interessantes já reservados à personagem.
Os três primeiros episódios de X-Men ’97 já estão disponíveis no Disney+, com novos capítulos chegando semanalmente.
