Quando um personagem passa anos sendo transformado nos quadrinhos, qualquer passo para trás vira polêmica. É o que está acontecendo com Venom (2026) #1, nova revista da Marvel que chegou às lojas dos Estados Unidos com cara de recomeço.
Na edição, Eddie Brock e o simbionte reaparecem como uma dupla briguenta e desconfiada do mundo. Eles avisam aos heróis de Nova York que não precisam nem querem a aprovação de ninguém, e o simbionte chega a se oferecer para eliminar criminosos menores que os heróis deixaram presos.
De Rei de Preto a anti-herói raivoso
O contraste com os últimos anos é grande. Nesse período, Eddie chegou a ocupar o trono de Rei de Preto no lugar de Knull, o filho dele, Dylan, também se uniu ao simbionte, Eddie se ligou a Carnificina na tentativa de controlar a própria selvageria e até Mary Jane Watson vestiu o traje. Tudo isso até o reencontro de Eddie com o Venom original no fim da saga mais recente.
A Marvel também tem expandido bastante o lado simbionte do seu universo. O Fleekon explicou recentemente quem é o novo Rei de Preto da Marvel e mostrou uma HQ que revelou que Dylan Brock, e não Mary Jane, é o maior medo do simbionte.
A bronca dos fãs
Parte do público e da crítica reclama que a nova fase descarta a trajetória construída durante a era de Donny Cates, roteirista que transformou Venom em um dos personagens mais importantes da editora. Nessa leitura, o reset ignora a redenção do herói e o relacionamento com Dylan, que talvez nem volte a aparecer tão cedo.
Há também quem aponte uma contradição: a edição faz questão de dizer que Venom não quer ser colocado em uma caixa, mas o comportamento do protagonista parece encaixá-lo justamente no molde clássico do anti-herói violento dos anos 90.
Vale separar as coisas, porém. A crítica não é necessariamente à qualidade do roteiro ou da arte, e sim à decisão editorial de abandonar um desenvolvimento que vinha se consolidando há anos. Os leitores de longa data são os que mais se sentem traídos.
Recomeço com risco
Quadrinhos de super-heróis vivem de ciclos, e voltar ao básico é uma estratégia antiga para atrair leitores novos. Quem conhece Venom só pelos filmes com Tom Hardy, por exemplo, pode encontrar aqui uma porta de entrada mais simples do que anos de cosmologia simbionte, deuses e reis.
O risco é soar como retrocesso para quem acompanhou a evolução do personagem. Como a revista acabou de estrear, ainda é cedo para um veredito. Os próximos números vão mostrar se o tom raivoso é só o ponto de partida de uma nova jornada ou uma volta definitiva ao passado.
Para quem gosta do simbionte em outras mídias, a Marvel também anunciou mangás inéditos com Homem-Aranha, Venom e Deadpool. E você, prefere o Venom anti-herói raivoso ou o da fase de Donny Cates?
