O último capítulo de Velozes e Furiosos acumula tropeços desde o anúncio, e a situação ficou ainda mais confusa. O diretor Louis Leterrier deu uma resposta enigmática sobre o roteiro do filme, contradizendo indiretamente o que o protagonista havia dito semanas antes.
O que Vin Diesel havia anunciado
O ator vinha alimentando expectativa nas redes sociais. Ele confirmou o título Fast Forever, a data de março de 2028 e o encerramento definitivo da saga. Depois disso, veio o anúncio mais empolgante: Vin Diesel afirmou ter lido o roteiro e o descreveu como o melhor texto que recebeu em décadas, dizendo inclusive que chorou com o material.
O que o diretor respondeu
Em entrevista ao site Polygon, o cineasta negou conhecer aquele documento. Questionado diretamente sobre o roteiro, ele deu uma resposta que levantou mais dúvidas do que esclareceu.
Bom, eu adoraria contar a verdade completa, mas não posso. Haverá um final, e ele é ótimo. Tive muita sorte de fazer parte da franquia, e eu amo o Vin, e amo a Universal. São ótimos de trabalhar. Então é isso. Vamos ver, tomara.
Louis Leterrier, diretor de Fast Forever
A escolha das palavras chama atenção: falar em ter tido sorte de ter feito parte, no passado, e encerrar com um “tomara” não soa como quem tem contrato garantido.
O contexto que agrava a confusão
Outro integrante do elenco já havia sinalizado problemas. Alan Ritchson, que participou do longa anterior, comentou o assunto de forma bastante direta.
Acho que vai haver mais um. Acho que vai ser ótimo. E é só uma questão de resolver alguns problemas grandes, problemas bem reais.
Alan Ritchson
Nenhum dos dois detalha quais seriam esses obstáculos. O silêncio, porém, sugere questões contratuais ou criativas que ninguém pode comentar publicamente.

Uma ressalva importante
Vale evitar conclusões apressadas: nada indica que alguém tenha faltado com a verdade, e é perfeitamente possível que existam versões diferentes de roteiro circulando entre as partes. Um ator produtor pode receber um tratamento de história antes de o diretor ter acesso ao texto final, e situações assim são comuns em produções desse porte.
Existe ainda o peso emocional do encerramento: a saga carrega a memória de Paul Walker, morto em 2013, e qualquer despedida definitiva precisa lidar com isso de forma cuidadosa. Errar a mão ali custaria caro com o público.
O tamanho do abacaxi
Poucas sagas têm laço tão forte com o Brasil — o quinto filme foi ambientado no Rio de Janeiro, e o país voltou a aparecer nos capítulos seguintes, chegando a incluir uma participação da cantora Ludmilla no penúltimo longa. Vale lembrar do currículo do cineasta escolhido: Louis Leterrier assumiu o capítulo anterior de última hora, depois da saída do diretor original já com a produção em andamento, e entregou o filme dentro do prazo mesmo assim.
O capítulo anterior deixou muita coisa em aberto, incluindo o retorno surpresa de uma personagem dada como morta havia anos e um confronto anunciado em cena pós-créditos. Amarrar tudo isso exige roteiro sólido, e com estreia marcada para daqui a dois anos e o diretor falando em “tomara”, a dúvida sobre o cronograma parece justificada.
