Durante anos, a pergunta ficou no ar: o universo paralelo que a Sony construiu em torno de Venom e Morbius chegaria a se cruzar com o Homem-Aranha do MCU? Tom Holland finalmente confirmou que sim — o plano existiu de verdade — em participação no podcast Happy Sad Confused, e a explicação é mais simples do que a especulação dos fãs sugeria.
A confirmação do ator
Holland atribuiu o projeto ao executivo que comanda o estúdio, Tom Rothman, e fez questão de descartar qualquer narrativa de conflito entre as partes:
“Ele [Rothman] é um cara muito inteligente, e acho que estava construindo esse universo com um plano de unir os mundos em algum momento. Acho que eles simplesmente nunca acharam a hora certa. Estava nos planos. Mas nunca houve briga do tipo, queremos você neste filme, e eu não querer. Isso nunca aconteceu.”
— Tom Holland, ao podcast Happy Sad Confused
A conclusão dele foi resignada: segundo o ator, a ideia era que aquilo acontecesse um dia, mas, como tanta coisa no meio criativo, simplesmente nunca saiu do papel.
Os sinais que o público já tinha notado
O plano nunca foi exatamente secreto. O segundo filme do simbionte terminou com o personagem sendo puxado para outra realidade logo depois de ver uma reportagem sobre o Homem-Aranha na televisão. O terceiro longa do aracnídeo deu sequência à ideia, com uma cena em um bar durante os créditos, e outro filme do estúdio trouxe um trecho pós-créditos que colocou um vilão conhecido diante daquele universo. A confusão chegou a um ponto em que um único trailer daquela época deixou o público sem saber em qual realidade a história se passava.

Como o plano foi desfeito
A reversão veio de forma discreta: o terceiro filme do simbionte reabriu exatamente a mesma cena de bar, agora com diálogo alterado e sem qualquer menção ao salto entre realidades. Nenhum projeto posterior tratou do assunto — a conexão entre as duas franquias foi apagada em silêncio, sem explicação oficial. Durante anos, parte do público atribuiu a ausência de encontro a uma disputa entre estúdios ou a uma recusa do próprio ator; Holland desmentiu as duas versões de forma direta.
Por que o projeto não vingou
A explicação é comercial antes de ser criativa: o primeiro filme do universo da Sony foi sucesso real de bilheteria, mas cada lançamento seguinte rendeu menos que o anterior, até o estúdio cancelar os derivados e apostar em um recomeço. Kevin Feige chegou a aconselhar a concorrente a não tentar copiar a fórmula da Marvel — recomendação que a expansão acelerada da Sony acabou ignorando. Havia ainda projetos como o de Madame Teia sendo montados em paralelo, todos apoiados na expectativa de uma conexão que jamais se concretizou. Existe, porém, uma leitura mais simpática: construir um universo compartilhado sem o personagem central é tarefa quase impossível, e a Sony tentou fazer isso com os direitos que tinha em mãos. A ambição errou no ritmo, não necessariamente na ideia.
O que vem a seguir
Existe uma rota mais saudável à disposição: a trilogia animada do estúdio encerra no ano que vem e segue como o braço mais elogiado dessa parceria. Feige já confirmou que uma versão em carne e osso de Miles Morales entra nos planos de longo prazo depois desse desfecho, coincidindo com a reorganização prometida para o fim da saga atual do MCU. É uma mudança de estratégia: em vez de forçar a costura entre universos que nunca combinaram, a ideia agora seria trazer um personagem específico para dentro da casa principal.
