Mil duzentos e cinco dias: é esse o tempo que separa o final da primeira temporada de “Ahsoka”, exibido em outubro de 2023, da estreia da segunda leva de episódios, que chega em 20 de janeiro de 2027, no Disney+. Nenhuma outra série live-action de Star Wars já fez seus fãs esperar tanto entre uma temporada e outra — e esse recorde pouco invejável carrega uma história bem particular por trás.

Uma ausência que atrasou tudo
Grande parte desse atraso tem nome e sobrenome: Ray Stevenson. O ator, que dava vida ao ex-Jedi Baylan Skoll, faleceu meses antes da primeira temporada sequer estrear — e tanto o personagem quanto sua atuação figuravam entre os pontos mais elogiados da série, já que Baylan seguia vivo e ativo no gancho final da temporada, com tudo indicando um papel ainda maior pela frente. A produção precisou reescalar o personagem, escolhendo Rory McCann para assumi-lo, com o anúncio só vindo a público no início de 2025, depois de um período de luto respeitoso pela partida de Stevenson.
Um problema que vai além de Ahsoka
Mas reduzir o atraso apenas a essa tragédia pessoal seria simplificar demais a questão. Séries de altíssimo orçamento como “Ahsoka” têm efeitos visuais complexos e já vêm normalizando hiatos de cerca de dois anos entre temporadas, tanto no universo Star Wars quanto no da Marvel dentro do Disney+ — ainda assim, quase quatro anos é um número fora da curva mesmo para esse padrão já esticado. Esse tipo de espera tem um preço: nem toda série sobrevive incólume a ela, embora produções como “A Casa do Dragão” e “Andor” sejam exemplos tão amados que o público simplesmente aguarda.
Nem toda série de Star Wars sobrevive ao hiato
A própria franquia já sentiu esse efeito colateral de perto. “Andor” e “Obi-Wan Kenobi” conseguiram se manter fortes, trazendo de volta personagens centrais dos filmes com atores queridos reprisando papéis conhecidos. Já produções como “O Acólito” e “Skeleton Crew” apostaram em rostos novos e cantos menos explorados do universo, e tiveram desempenho bem mais fraco. Até “The Mandalorian”, o fenômeno que deu origem à própria “Ahsoka”, sentiu o baque: sua terceira temporada foi lançada mais de dois anos depois da segunda e registrou queda de audiência.
O que ainda pode salvar a série
A base mais fiel de “Ahsoka” provavelmente garante um desempenho decente para essa segunda temporada. A grande dúvida é outra: sobra interesse suficiente entre o público mais casual — que ajudou a inflar a audiência da primeira temporada — para justificar uma terceira leva de episódios, depois de um hiato de quatro anos que é tempo de sobra para esquecer a série ou nem perceber que ela está de volta?
