Com tantas versões marcantes do Batman no cinema, Robert Pattinson precisava encontrar um ângulo que ainda não tivesse sido explorado. A resposta veio de uma HQ pouco lembrada pelo grande público: “Batman: Shaman”, arco que abriu a revista “Legends of the Dark Knight” no início dos anos 1990. O ator contou como a história moldou sua interpretação em “The Batman”.
“Existem interpretações incríveis do personagem e eu estava apenas tentando descobrir o que é que ainda não foi encontrado. Eu li tantas novelas gráficas e encontrei uma chamada ‘Shaman’ que falava sobre os aspectos metafísicos do que o simbolismo do morcego específico significa e apenas tentando abstrair a ideia ao invés de dizer, ‘Sim, isso tira a lógica de se tornar o Batman e diz: não, eu estou me tornando essa outra coisa.’”
— Robert Pattinson
Do que trata “Batman: Shaman”
A HQ acompanha um Bruce Wayne ainda no começo da jornada. Antes de vestir o manto, ele quase morre no Alasca e é resgatado por um xamã, que lhe conta uma lenda sagrada sobre a origem dos morcegos. Anos depois, já como Batman, Bruce investiga uma série de crimes ligados a um culto com uma conexão misteriosa com aquele episódio do passado.
A trama combina investigação policial, espiritualidade e simbolismo, tratando o morcego não como uma escolha prática para amedrontar bandidos, mas como algo muito mais profundo na psique do herói.

“Não é um traje, é sua pele”
Essa leitura mudou até a forma como Pattinson se relacionava com o uniforme. Para ele, a roupa não era disfarce nem ferramenta de intimidação, e sim a expressão de uma identidade que Bruce criou e com a qual passou a se confundir:
“Não é apenas para assustar o criminoso, é por você mesmo e é porque você sente uma conexão profunda com essa criatura que você criou, a qual você então pensa que está se tornando ou que ela realmente é você, mesmo que você tenha a construído. Estou tendo tantas conversas e coisas com esse traje e estou pensando, você tem que acreditar que não é um traje, é apenas sua pele.”
— Robert Pattinson
Um Batman movido pela tristeza
A influência ajuda a explicar por que o Bruce de “The Batman” parece tão diferente das versões anteriores. Em vez de um herói seguro de si, com equipamentos e fortuna em primeiro plano, o filme de Matt Reeves apresenta um jovem ainda tentando entender seu papel em Gotham, carregado por uma melancolia profunda. O morcego, nesse contexto, deixa de ser apenas o medo que ele quer provocar nos outros e passa a refletir aquilo em que ele próprio se transformou.
Como Pattinson retorna em “The Batman: Parte II”, há espaço para que essa dimensão quase espiritual do personagem seja aprofundada — e quem quiser entender de onde ela vem já sabe qual HQ procurar.
