Rhetoric: vilão criado por fã estreia nos quadrinhos do Batman

Batman possui, sem dúvida, a melhor galeria de vilões de toda a história dos quadrinhos. Muitos dos inimigos do Cavaleiro das Trevas redefiniram o próprio conceito de supervilão, graças a fantasias marcantes, personalidades tão memoráveis quanto perturbadas, gadgets mortais e esquemas elaborados.

Nomes como Coringa, Mulher-Gato, Pinguim, Duas-Caras, Hera Venenosa e Bane se tornaram alguns dos antagonistas mais icônicos e aterrorizantes da DC Comics. Agora, um fã acaba de criar um vilão inteiramente novo, que estreou em “Detective Comics” #1113 e promete ser a adição perfeita ao submundo criminoso de Gotham.

Um concurso que deu origem a um novo clássico

No início deste ano, a DC Comics se associou ao LEGO Batman para lançar a promoção “Building Bad”, campanha que permitia aos fãs colaborar com a editora na criação de um novo vilão do Batman. O vencedor teria seu conceito estreando em “Detective Comics” #1113, com aparição também em “Batman” #14 e uma participação especial como DLC no jogo “LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas”.

O vencedor da disputa foi Sharif Robbins-Brinson. Seu personagem, Rhetoric (Retórica, em tradução livre), promete se firmar como um dos maiores vilões do Batman dos últimos anos.

Uma missão que ataca o coração da cruzada de Batman

Rhetoric fez sua estreia numa história bônus em “Detective Comics” #1113, e fica claro desde o início que sua originalidade vai muito além de ser apenas um personagem criado por fãs. Em vez de ser mais um criminoso fantasiado atrás de dinheiro, fama ou puro prazer em matar, sua missão atinge diretamente o cerne da cruzada de Batman, tocando também nos problemas subjacentes que transformaram Gotham num verdadeiro inferno de crime e corrupção.

Rhetoric já foi um capanga comum do Pinguim. Despertou sua habilidade metaumana latente de telecinese, seja por um golpe do Batman na cabeça, seja por conta de sessões torturantes de eletrochoque recebidas no Asilo Arkham, e foi motivado a derrubar o sistema corrupto e o próprio Cavaleiro das Trevas, que, na visão dele, perpetuam um status quo de ciclos intermináveis de crime e prisão.

Esse ex-capanga decidiu que era hora de uma nova retórica. Vestiu um traje feito a partir de uniformes de internos e guardas de Arkham e Blackgate, e empunha algemas, correntes e uma arma de bastão de segurança da Waynetech. O visual de Rhetoric funciona como uma declaração sobre a corrupção e a crueldade que fermentam no coração do sistema judiciário de Gotham.

O anti-Batman que faltava na galeria da DC

A DC já não é estranha a vilões concebidos como reflexos sombrios do Batman, tanto em visual quanto em origem e motivação. Infelizmente, a maioria desses “anti-Batman” acaba decepcionando: Homem-Coruja e o Batman que Ri são simplesmente versões alternativas e malignas do herói, carregando filosofias niilistas sobre a existência em geral.

Vilões como Prometeu e Wrath miram Batman e outras organizações policiais em nome dos criminosos, mas suas motivações nunca vão além de vingança pessoal ou um senso bizarro de equilíbrio entre o bem e o mal. A DC nunca teve um conceito realmente convincente e moralmente complexo de um arquétipo pró-criminoso até Rhetoric aparecer.

Rhetoric personifica uma crítica crescente: a cruzada de combate ao crime do Batman só protegeria um sistema corrupto, na visão do personagem, perpetuando um ciclo de crime e encarceramento contra os moradores mais vulneráveis de Gotham. Sua filosofia conflitante sobre a melhor forma de lidar com o crime o torna um dos anti-Batmans mais interessantes já criados pela editora.

Rhetoric poderia até levar Batman a questionar sua própria missão, e também fazê-lo duvidar se seu trabalho filantrópico como Bruce Wayne realmente funciona contra um sistema tão enraizado. Trata-se de um personagem moralmente cinzento, com bastante potencial narrativo para histórias futuras.

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