Puddlegate e outros hates: o histórico da Insomniac antes de Wolverine

A onda de críticas contra “Marvel’s Wolverine” pode parecer um fenômeno inédito, mas quem acompanha a trajetória da Insomniac Games sabe que essa história já se repetiu antes. Todo grande lançamento do estúdio nasceu cercado de alguma polêmica — e olhar para esse padrão ajuda a entender o que pode vir a seguir para o futuro jogo dos X-Men.

Marvel's Wolverine
Marvel’s Wolverine – Divulgação/Insomniac Games

O caso da poça d’água que virou escândalo

O episódio mais emblemático da história recente da Insomniac aconteceu antes mesmo de “Marvel’s Spider-Man” chegar ao PS4, em 2018. Fãs compararam trailers antigos com materiais mais novos e concluíram que uma poça d’água em uma das cenas havia diminuído de tamanho, acusando o estúdio de downgrade gráfico. O caso ficou conhecido como Puddlegate e dominou fóruns inteiros por semanas a fio.

O jogo acabou lançando com nota 87 no Metacritic, vendeu dezenas de milhões de cópias, e a poça se tornou piada interna da própria comunidade — a Insomniac chegou a incluir adesivos temáticos no modo foto do jogo depois do episódio. O Puddlegate, porém, não foi o único atrito daquela era: as missões furtivas com Mary Jane também sofreram críticas duras por quebrarem o ritmo da ação.

Remaster, rosto novo e o terceiro ato de Spider-Man 2

O ciclo se repetiu nos lançamentos seguintes do estúdio. O remaster de “Marvel’s Spider-Man” para PS5 trocou o modelo facial de Peter Parker, e parte da internet reagiu como se fosse um erro grave. Já em “Marvel’s Spider-Man 2”, a missão paralela envolvendo Hailey e certas escolhas de roteiro no terceiro ato voltaram a dividir a comunidade antes do lançamento.

Mesmo assim, o resultado final contrariou o barulho mais uma vez: “Marvel’s Spider-Man 2” estreou com nota 90, a maior nota da série até hoje, e se tornou um dos maiores lançamentos da história do PlayStation. O padrão parecia claro — o hate pré-lançamento fazia barulho, mas raramente se confirmava no produto final.

As explicações do próprio estúdio

A Insomniac tem suas próprias teorias sobre esse fenômeno recorrente. O diretor de comunidade James Stevenson atribui boa parte da situação ao funcionamento das redes sociais, cujos algoritmos amplificam conteúdo negativo por gerar mais engajamento — na visão dele, o bombardeio constante de críticas não reflete necessariamente a opinião real do público sobre os jogos.

Já Mike Daly, diretor de “Marvel’s Wolverine”, enxerga o lado positivo da situação. Ele descreve o hate como um “bom problema”, sinal de uma base de fãs apaixonada que se importa com cada detalhe do personagem. Para Daly, há também um fator estrutural nisso tudo: jogos baseados em heróis tão queridos carregam décadas de expectativa acumulada, e qualquer desvio da imagem idealizada por cada fã acaba virando munição para as críticas.

Desta vez, o padrão quebrou em parte

O caso de “Marvel’s Wolverine” trouxe uma novidade incômoda para essa narrativa histórica. Diferentemente dos episódios anteriores, uma parte das críticas pré-lançamento se confirmou na recepção profissional. O jogo estreou com nota em torno de 78 no Metacritic — a menor pontuação de um título original da Insomniac em uma década, bem abaixo dos 87, 85 e 90 registrados pela trilogia do Homem-Aranha.

As análises validaram reclamações que o hate já vinha apontando havia semanas, como a linearidade excessiva, a repetição do combate e o excesso de assistência ao jogador. Ou seja, desta vez nem tudo foi ruído de algoritmo. Ainda assim, a nota segue na faixa positiva, sem nenhuma análise negativa registrada — longe do desastre retratado pelos memes das semanas anteriores ao lançamento.

O que isso significa para o futuro jogo dos X-Men

A grande questão agora é olhar para frente. Um vazamento de 2023, resultado de um ataque hacker sofrido pela Insomniac, revelou um roteiro interno do estúdio no qual um jogo dos X-Men aparecia planejado para por volta de 2030, dentro de um acordo entre Sony e Marvel envolvendo os mutantes válido até 2035. O próprio estúdio já sinalizou publicamente que “Marvel’s Wolverine” deve abrir caminho para uma trilogia ligada ao grupo.

Se o histórico servir de guia, o hate contra “Marvel’s Wolverine” não deve descarrilar esses planos — assim como o Puddlegate não impediu “Marvel’s Spider-Man” de se tornar um fenômeno. A diferença desta vez é que a crítica profissional deu razão a parte das reclamações. Cabe agora à Insomniac mostrar que aprendeu com o tropeço antes de colocar toda a equipe mutante em cena.

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