Por que Physint, de Kojima, saiu da Sony e foi parar no Xbox

Hideo Kojima passou cerca de três meses procurando um novo parceiro para publicar “Physint” depois que a Sony encerrou a parceria de publicação do projeto — um desfecho que pegou o mercado de surpresa e que agora tem um possível pano de fundo financeiro: o desempenho comercial de “Death Stranding 2: On the Beach” pode ter ficado abaixo do necessário para justificar novos investimentos de grande escala na parceria com o estúdio.

Physint
Divulgação/Sony Interactive Entertainment/Kojima Productions

Um jogo bem-sucedido, mas aquém do esperado

Uma análise da Alinea Analytics estima que “Death Stranding 2” vendeu cerca de 2,5 milhões de cópias entre PS5 e PC, gerando receita bruta de aproximadamente US$ 170 milhões. O número não representa um fracasso, mas fica bem abaixo do primeiro jogo da franquia, que teria alcançado cerca de 5 milhões de cópias e US$ 243 milhões em receita ao longo de todo o seu ciclo comercial — somando as duas obras, a franquia teria movimentado cerca de US$ 413 milhões desde 2016.

A diferença de orçamento ajuda a explicar por que o resultado pesa mais dessa vez: estimativas de mercado colocam o custo do primeiro “Death Stranding” na faixa de US$ 100 milhões, enquanto a sequência teria consumido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Uma produção desse porte precisa de vendas muito superiores para alcançar uma margem satisfatória — e o ritmo de vendas da sequência teria perdido força já nos primeiros meses após o lançamento, mesmo com reduções de preço.

Death Stranding 2
Divulgação/Kojima Productions

O detalhe chinês que ajudou a segurar as vendas de PC

A versão para PC, desenvolvida pela Nixxes, teve participação relevante no resultado final e ampliou o alcance do jogo para mercados onde a presença da PlayStation é mais limitada. Segundo o levantamento, 44% da base de jogadores de “Death Stranding 2” no Steam está na China, ante 27% do primeiro jogo na mesma plataforma — um sinal de como o PC pode abrir portas que o console sozinho não alcançaria.

Uma PlayStation mais cautelosa com grandes apostas

Não há confirmação de que o desempenho de “Death Stranding 2” tenha causado diretamente o fim da parceria em “Physint” — a decisão pode envolver fatores comerciais, criativos ou de desenvolvimento nunca divulgados publicamente. Mas o momento chama atenção: a mudança acontece dentro de uma reavaliação mais ampla da Sony sobre grandes produções, num mercado em que os custos sobem e o retorno comercial varia bastante de projeto para projeto.

Descrito como um título de ação e espionagem que retoma o gênero que consagrou Kojima na indústria, “Physint” agora corre sob a bandeira do Xbox, que já mantinha outros projetos com o estúdio japonês. É uma mudança significativa numa parceria que nasceu com o próprio “Death Stranding” e que, até pouco tempo atrás, parecia sólida o suficiente para sustentar o próximo grande jogo de espionagem de Kojima dentro do ecossistema PlayStation.

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