O escudo do Capitão América já pertence a Sam Wilson havia tempo — então como encaixar Steve Rogers na mesma trama de Vingadores: Doutor Destino sem repetir uma identidade que não é mais dele? Uma resposta possível apareceu quando Anthony Mackie comentou o assunto e citou, sem confirmar nada, uma solução que a Marvel já usou nos quadrinhos décadas atrás.
O comentário que reacendeu a teoria
Mackie apontou que, nas revistas, Steve abandonou a identidade de Capitão América e adotou outra — e recomendou aos fãs que fossem atrás do material original. Ele não afirmou que isso acontece no filme; a menção pode ter sido só um exemplo de como o personagem já dividiu página com outro portador do escudo sem perder relevância. Mas a leitura alternativa também existe: talvez o nome citado tenha função real na trama, ainda que nada tenha sido confirmado.
De onde vem o Nômade
A identidade nasceu em 1974, numa história politicamente carregada: o herói descobre corrupção no alto escalão do governo americano e larga o escudo por decepção. O afastamento durou pouco — depois de conselhos do Gavião Arqueiro, ele criou um traje novo, com capa, e passou a atuar sem representar país algum. Surgia o Nômade, o homem sem pátria. No ano seguinte, ele retomou o manto ao ver um vilão eliminando possíveis sucessores.

O cinema já flertou com a ideia
O conceito já circulou dentro do próprio UCM. Depois de Capitão América: Guerra Civil, o personagem virou fugitivo, abandonou o escudo e adotou visual bem diferente — muita gente leu aquilo como uma versão disfarçada do Nômade. O filme seguinte, porém, nunca usou o nome em cena, deixando a porta aberta para o futuro. Aquela fase, aliás, foi uma das poucas em que a Marvel colocou o personagem em conflito aberto com as instituições que ele simbolizava, o que a torna um ponto de virada lembrado até hoje.
Como o conceito mudaria numa trama multiversal
A motivação original era política e dificilmente faria sentido numa história sobre ameaça multiversal. Existe, porém, uma releitura possível: se o personagem passou anos vagando entre realidades depois do desfecho anterior, a palavra ganharia sentido literal — alguém sem lugar fixo, um Nômade do Multiverso. Há também o argumento contrário: o estúdio pode simplesmente não querer complicar a identidade de um personagem tão reconhecível num filme que já reúne dezenas de heróis. Nesse cenário, Steve seria apenas Steve, sem apelido novo.
O que já está confirmado
Alguns pontos são concretos: o escudo pertence a Sam Wilson desde a transição mostrada em Falcão e o Soldado Invernal, processo que o próprio Mackie acompanhou de perto. O retorno de Chris Evans, por sua vez, contraria uma posição antiga do ator, que já havia classificado como arriscado voltar ao papel depois do encerramento que o personagem recebeu. Até agora, o material promocional mostra Steve Rogers em roupas comuns, sem uniforme. Vingadores: Doutor Destino chega aos cinemas brasileiros em 17 de dezembro.
