Petição contra fim do disco no PlayStation passa de 125 mil

O barulho em torno do fim da mídia física no PlayStation não dá sinais de esfriar. Desde que a Sony confirmou que vai parar de fabricar discos a partir de 2028, a reação dos jogadores só se intensifica. As redes oficiais da empresa seguem em silêncio absoluto, enquanto do outro lado a comunidade recorre a todas as ferramentas de pressão de consumidor disponíveis. E um abaixo-assinado específico virou o símbolo maior dessa revolta, crescendo num ritmo que pegou até analistas de surpresa.

“Don’t Kill the Disc” ganha corpo rapidamente

Vários abaixo-assinados nasceram assim que a notícia veio a público, mas um deles se destacou do resto e conquistou tração de verdade. Batizado de “Don’t Kill the Disc”, o movimento foi flagrado primeiro pelo site Digital Foundry e acumula assinaturas em velocidade acelerada desde então. Por trás da campanha, hospedada no Change.org, está Jade Pearce, à frente da PNP Games, uma loja canadense especializada em jogos físicos.

Imagem do abaixo-assinado Don't Kill the Disc – Divulgação
Imagem do abaixo-assinado – Divulgação/Don’t Kill the Disc

A velocidade de adesão chama atenção: nas primeiras 48 horas, a petição já somava cerca de 40 mil apoiadores. Hoje, esse número já ultrapassou a marca de 125 mil assinaturas e continua subindo a cada hora que passa.

Os argumentos por trás do movimento

A criadora da petição não se apoia só na nostalgia de colecionar caixinhas de jogo. Segundo Jade Pearce, existe um risco concreto de os consumidores perderem acesso a conteúdo digital já pago — e ela cita um episódio recente como prova: a Sony teria removido centenas de filmes das contas de usuários, mesmo entre títulos comprados e quitados. Na visão dela, um código impresso dentro de uma caixa vazia não substitui a posse real que só o disco físico garante.

O texto do abaixo-assinado também argumenta que a mudança pode custar empregos em pequenos negócios do setor ao redor do mundo. Em suas próprias palavras, Pearce resume assim a motivação da campanha:

Nós não somos contra o digital. Somos contra o digital ser a única opção. Uma comunidade grande e apaixonada ainda quer um jogo físico de verdade, que possua de fato, e a Sony está prestes a tirar essa escolha.

O contraste com o discurso da própria Sony no passado

Há um detalhe que torna tudo ainda mais irônico. Durante a E3 de 2013, a Sony defendeu publicamente — e com orgulho — a permanência da mídia física no então recém-anunciado PlayStation 4, chegando a zombar dos planos do Xbox de exigir conexão constante à internet. Na época, a empresa fazia questão de destacar a liberdade de emprestar, revender ou guardar jogos indefinidamente. Treze anos depois, a postura parece ter se invertido por completo.

Será que a pressão surte efeito?

Apesar da mobilização expressiva, é bem possível que o resultado não seja o esperado pelos signatários. A Sony mantém a decisão firme, justificando a mudança pela preferência majoritária do público, que já teria migrado para o digital há tempos. Ainda assim, a companhia deixou uma brecha: afirmou que continuará com meios técnicos para produzir discos após 2028, prometendo fabricar mídias para jogos lançados antes de janeiro daquele ano sob encomenda de outras distribuidoras. Ou seja, do ponto de vista puramente técnico, a fabricação segue viável — o que mantém uma pequena chance de reversão no horizonte.

Mídia física – Reprodução
Mídia física – Reprodução

Independente do desfecho, a força do movimento comprova que o público que valoriza mídia física continua numeroso e organizado. Mesmo que não consiga reverter a decisão da Sony, o abaixo-assinado já colocou em pauta uma discussão maior: o que realmente significa “possuir” um jogo na era do digital — um debate que outras fabricantes provavelmente vão precisar enfrentar também.

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