Os X-Men The All-New, All-Different pareciam lutar contra os X-Men originais 50 anos atrás

Na coluna Look Back, revisitamos periodicamente edições de quadrinhos lançadas há 10, 25 ou 50 anos (com direito a um bônus sempre que o mês tem cinco semanas). Desta vez, viajamos até maio de 1976 para revisitar uma edição fundamental de X-Men.

É engraçado pensar que exatamente 25 anos separam a estreia de Grant Morrison e Frank Quitely em New X-Men do centésimo número de X-Men. Duas edições marcantes, ainda que por motivos completamente diferentes.

Um detalhe que vale destacar sobre a época: X-Men era publicado bimestralmente e trazia apenas 17 páginas de história por edição. A Marvel reduziu esse número para 20 páginas há mais de uma década — e mesmo essas 20 já incluem uma página de recapitulação, o que significa que, na prática, os roteiristas de hoje têm até mais espaço do que Chris Claremont e Dave Cockrum tinham em 1976, quando aquelas 17 páginas precisavam dar conta de toda a exposição, recapitulação e desenvolvimento da trama.

Por isso é tão impressionante o quanto essas histórias pareciam completas dentro daquele espaço reduzido. O trabalho de Claremont e Cockrum em X-Men #100, com capa de maio de 1976, é um exemplo perfeito disso.

O caminho até a edição 100

Essa trama começou na edição anterior, X-Men #98, quando um grupo de Sentinelas atacou a equipe durante uma comemoração de Natal em Nova York. Naquele confronto, Wolverine, Jean Grey e Banshee acabaram capturados e levados sob custódia de Stephen Lang.

Foi ali, aliás, que os leitores descobriram pela primeira vez que as garras de Wolverine eram parte do próprio corpo dele — e também a primeira vez em que ele apareceu sem a máscara. Usando as garras, ele se liberta junto com Jean e Banshee, apenas para descobrirem, chocados, que estão no espaço sideral. Na edição seguinte, o restante da equipe consegue chegar até a estação espacial dos Sentinelas usando um ônibus espacial improvisado — mas ao chegar lá, se depara com um ataque vindo dos… X-Men originais?!

Os X-Men Todos Novos enfrentam o que parecem ser os X-Men originais
Imagem via Marvel

É também nessa sequência que nasce um dos elementos mais icônicos do folclore dos X-Men: o célebre “fastball special”, manobra em que Colossus arremessa Wolverine contra o inimigo.

Colossus arremessa Wolverine no fastball special, estreia em X-Men #100
Imagem via Marvel

A luta se estende por boas páginas, repleta de momentos curiosos — como Professor X se levantando da cadeira de rodas para confrontar Wolverine fisicamente — até que tudo muda de figura quando Wolverine percebe algo estranho: ele conhece a verdadeira Jean Grey, e aquela versão simplesmente não pode ser ela. Em um momento chocante, ele a golpeia com as garras…

Wolverine parece esfaquear Jean Grey, revelando que ela é uma Sentinela
Imagem via Marvel

E com razão: eram réplicas avançadas construídas por Lang, feitas à imagem dos X-Men originais.

Com isso resolvido, o verdadeiro Ciclope se liberta de onde estava preso ao lado de Jean Grey, do Professor X e de Peter Corbeau, o cientista responsável pelo ônibus espacial usado no resgate. Depois de um breve confronto, Lang morre em um acidente envolvendo um hovercrate de ataque, e a estação começa a entrar em colapso — forçando os X-Men a correr de volta à nave. Só que há um problema sério pela frente.

O desfecho dramático da edição

O combate anterior danificou o ônibus espacial a ponto de que, quem estiver pilotando, ficará exposto à radiação de uma tempestade solar se aproximando — o que, na prática, significa uma sentença de morte para quem assumir os controles.

Jean Grey toma então a decisão mais ousada da edição: usa a telepatia para absorver instantaneamente a habilidade de pilotagem e nocauteia Ciclope para impedir que ele a impeça.

Jean Grey decide pilotar o ônibus espacial para salvar os X-Men
Imagem via Marvel

Antes disso, há uma cena tocante em que Wolverine tenta convencê-la a desistir, mas não consegue encontrar as palavras certas para expressar o que sente — está claramente apaixonado por Jean, embora ela não perceba. Sem entender o real motivo daquela hesitação, ela interpreta a atitude dele como grosseria e o manda embora. Ele parte sem saber se aquele seria o último momento entre os dois.

A página final, com uma composição visual belíssima assinada por Cockrum, mostra Ciclope acordando do nocaute em desespero, enquanto Jean percebe que seu escudo telecinético não será suficiente para conter a tempestade solar. A edição termina com a aparente morte de Jean Grey.

Jean Grey parece morrer exposta à radiação cósmica em X-Men #100
Imagem via Marvel

O nível de pathos nessa última página é impressionante — um exemplo eletrizante de narrativa em quadrinhos assinado por Claremont e Cockrum. Vale notar ainda a referência direta ao primeiro número de Quarteto Fantástico, com o mesmo “tac tac” da radiação cósmica que, décadas antes, havia dado origem aos poderes dos próprios Quatro Fantásticos.

Tudo isso construído em apenas dezessete páginas — uma conquista e tanto vinda de uma das duplas criativas mais talentosas da história dos quadrinhos de super-heróis.

Sugestões de edições para revisitar em julho (ou qualquer outro mês futuro) de 2016, 2001, 1976 e 1951 podem ser enviadas para brianc@cbr.com! Um lembrete sobre as datas de capa: durante boa parte da história dos quadrinhos, havia uma defasagem de dois meses entre a data de capa e o lançamento real nas bancas (em certos períodos, chegou a três meses, mas não nos períodos discutidos aqui). Ou seja, uma edição lançada em agosto normalmente trazia data de capa de outubro. Para edições de 10 anos atrás, esse cálculo é mais simples, já que já havia cobertura on-line detalhada na época.

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