Toda a jornada de herói do Homem-Aranha nasce da tragédia e da perda, desde a morte do Tio Ben até o momento mais citado quando o assunto é dor nos quadrinhos: a queda de Gwen Stacy da ponte, orquestrada pelo Duende Verde. Só que, olhando com calma para toda a história de Peter Parker, existe uma morte ainda mais dolorosa, e o nome por trás dela é Harry Osborn.
Uma alma condenada antes mesmo de nascer
Harry Osborn era o melhor amigo de Peter Parker e chegou a namorar Mary Jane Watson enquanto Peter estava com Gwen. Só que a vida de Harry sempre foi marcada por tragédias, e um retcon publicado em “O Espetacular Homem-Aranha #72”, de Nick Spencer, revelou que a culpa de tudo era do próprio pai, Norman Osborn, que fez um pacto com Mephisto ainda quando Harry era bebê, trocando a alma do filho por sucesso pessoal. Harry cresceu sem qualquer apoio do pai, que sempre o tratou como um fardo e chegou a colocar a culpa da overdose do filho em Peter e Mary Jane. Tudo desmoronou de vez quando Gwen morreu e, em seguida, o próprio Duende Verde também. Ao descobrir que o pai era o vilão e que Peter era o Homem-Aranha, Harry surtou e assumiu o manto do Duende, guiado pela certeza equivocada de que Peter havia matado Norman.
O final que tornou tudo ainda mais doloroso
A morte de Harry aconteceu em “O Espetacular Homem-Aranha #200”, de J.M. DeMatteis e Sal Buscema. Recuperado, ele vivia uma vida de família ao lado da esposa Liz Osborn e do filho Normie. Ao saber que Harry havia sido solto por uma brecha técnica e voltado a ter alucinações, Peter, furioso, foi atrás dele, e o confronto reacendeu o lado sombrio do amigo, que culpava Peter por tê-lo incriminado injustamente após a morte de Gwen. Mesmo com Mary Jane tentando salvar Harry até o fim, Peter não conseguiu evitar a tragédia.
Um impacto que dura até hoje
Pouco depois da tragédia, Peter e Mary Jane começaram a namorar, e não demorou muito para os leitores perceberem que era ela, e não Gwen, o grande amor do Homem-Aranha, o que apagou boa parte do impacto duradouro daquela morte específica. A trajetória de Harry, por outro lado, segue reverberando até hoje: mesmo com seu retorno à vida durante o arco “Um Novo Dia”, sua morte segue tendo peso, o que ficou ainda mais evidente quando a saga “Kindred” aprofundou essa mitologia, revelando que nem mesmo aquele sofrimento todo era culpa dele. O próprio Duende Verde, herdado tanto por Norman quanto por Harry, segue sendo símbolo de tragédia familiar nos quadrinhos do Homem-Aranha.
