Já se passaram quase quatro anos desde que James Gunn assumiu o comando conjunto da DC Studios ao lado de Peter Safran. Nesse período, a confiança de parte da base de fãs no novo DCU vem oscilando bastante, e surge uma dúvida real: existe risco de o universo compartilhado perder força antes mesmo de atingir seu potencial máximo?
A escolha de personagens iniciais gera desconforto
O entusiasmo inicial com o anúncio de Gunn na liderança criativa esfriou quando o Capítulo Um, batizado “Deuses e Monstros”, revelou sua primeira leva de projetos. Produções como Comando das Criaturas e Waller geraram desconfiança por colocarem personagens menos conhecidos em posição de destaque antes de nomes centrais da mitologia DC. A situação é diferente da que a Marvel enfrentou: a concorrência precisou apostar no relativamente desconhecido Tony Stark no início por restrições de direitos autorais na época, enquanto a DC Studios detém controle total sobre seu catálogo e não enfrentaria essa mesma limitação. Ainda assim, Comando das Criaturas já foi confirmada como peça fundamental desse cânone compartilhado, segundo declarações do próprio showrunner Dean Lorey sobre o cuidado meticuloso de Gunn com cada detalhe do roteiro.
O formato televisivo preocupa quanto à acessibilidade
Outro ponto de crítica envolve especificamente o uso de séries de televisão dentro da estratégia narrativa. Para muitos, nem Marvel nem DC conseguiram acertar completamente esse formato até hoje, e muitas produções frequentemente pareciam “dever de casa” obrigatório antes dos filmes principais. A crítica se intensifica ao analisar Lanternas, considerada uma aposta arriscada: a série explora um dos personagens mais aguardados pelos fãs através de uma trama ambientada majoritariamente numa cidadezinha do interior americano, com visual propositalmente discreto para os protagonistas.

James Gunn já defendeu publicamente essa abordagem conectada entre diferentes produções, destacando como personagens como Rick Flag Sr. transitariam entre séries e longas-metragens de forma orgânica.
O excesso de personagens nos filmes também é questionado
Outra decisão questionada é a de incluir tantos personagens secundários logo no primeiro filme da nova era, Superman — casos da Mulher-Gavião, do Senhor Incrível e de Guy Gardner, todos sem planos concretos de projetos solo no curto prazo. Esse acúmulo dificulta a construção de uma conexão emocional genuína com o público casual, numa situação comparável a incluir Mulher-Hulk e Falcão logo no primeiro filme do Homem de Ferro.
Ainda há espaço para esperança
Apesar de tudo isso, ainda é possível manter a esperança na trajetória do universo compartilhado. Eventualmente, Gunn precisará recorrer a personagens mais conhecidos como Batman e Mulher-Maravilha, momento que deve renovar consideravelmente a expectativa geral. Até lá, porém, o estúdio precisa equilibrar melhor a ambição criativa e as demandas do público mais casual da franquia.
