Existe uma previsão feita em 2009 que, na época, quase não repercutiu — mas que hoje soa como profecia certeira. O então presidente da Nintendo, Satoru Iwata, disse que em cerca de 20 anos os jogos físicos dariam lugar ao digital. Em julho de 2026, com a Sony anunciando o fim dos discos para o PlayStation 5 a partir de 2028, a conta bateu quase certinha.
O que Iwata disse, exatamente
Durante uma reunião com investidores em 2009, Iwata foi questionado sobre o crescimento das lojas digitais. Sua resposta, longe de qualquer alarmismo, reconhecia que a mudança viria de forma gradual — mas foi específico quanto ao prazo:
“Em cerca de 20 anos, eu diria que provavelmente terá mudado. Mas em uns 5 anos, não concordo totalmente com quem diz que ninguém mais vai comprar jogos no varejo.”
Satoru Iwata, 2009
Fazendo as contas a partir de 2009, a fala apontava para algo em torno de 2029. A realidade chegou com um ano de antecedência: a Sony confirmou que vai encerrar a produção de discos físicos para jogos de PS5 a partir de janeiro de 2028. Iwata comandou a Nintendo entre 2002 e 2015, ano de seu falecimento, e ficou conhecido por raramente errar nas leituras que fazia sobre o mercado — e desta vez não foi diferente.
O anúncio da Sony
Segundo comunicado publicado no PlayStation Blog, todos os jogos novos de PlayStation passarão a ser vendidos exclusivamente em formato digital a partir de janeiro de 2028. Títulos lançados antes dessa data continuam disponíveis em disco normalmente. A justificativa da empresa é direta: a preferência do público pelo digital já superou de forma ampla a mídia física.
Os números confirmam a tendência. Segundo os próprios resultados financeiros da Sony, os downloads digitais já respondem por cerca de 85% das vendas de jogos completos entre PS4 e PS5. A empresa também anunciou o fechamento gradual das lojas digitais de PS3 e PS Vita nos próximos meses — mais um sinal de que a virada é definitiva.
Um movimento que já vinha se desenhando
A decisão da Sony não surgiu isolada. Dias antes do anúncio, a Rockstar já havia irritado parte dos fãs ao confirmar que a edição física de Grand Theft Auto VI traria apenas um código de download dentro da caixa, sem o disco físico propriamente dito. Some-se a isso o encolhimento de redes como a GameStop, que já fechou mais de mil lojas nos últimos anos, e o cenário fica bastante claro: assim como aconteceu antes com filmes e música, o digital está empurrando os games para um futuro sem discos.

E os concorrentes, seguem o mesmo caminho?
A Microsoft, por ora, não anunciou oficialmente o abandono dos discos no Xbox — mas os sinais preocupam: há relatos de lançamentos físicos recentes chegando quase sem dados gravados no próprio disco, além de rumores de que o próximo hardware da marca poderia vir sem leitor óptico. A Nintendo, por sua vez, apostou no chamado Game-Key Card, uma espécie de mídia física que, na prática, não armazena o jogo localmente, mas pelo menos permite revenda. Vale reforçar que essas informações sobre Xbox e Nintendo ainda carecem de confirmação oficial e devem ser tratadas com cautela.
O que se perde no caminho
A migração para o digital traz comodidade inegável, mas também acende um alerta sobre preservação e posse. Sem discos, colecionadores perdem espaço físico, o mercado de usados encolhe, e a própria ideia de “ser dono” de um jogo fica cada vez mais frágil — tudo passa a depender de contas ativas e servidores online que seguem funcionando. Para quem aguarda grandes lançamentos como GTA 6, o recado é bem claro: o futuro dos games é digital. E Satoru Iwata enxergou isso quase duas décadas antes de virar realidade.
