Uma placa de banheiro deformada em Marvel’s Wolverine viralizou nas redes sociais nos últimos dias e levantou suspeitas de uso de inteligência artificial generativa na produção do jogo. James Stevenson, diretor de comunidade e marketing da Insomniac Games, negou publicamente a acusação e atribuiu o problema a um bug de mapeamento de textura, comum em produções desse porte.
Uma placa que virou meme e gerou desconfiança
Marvel’s Wolverine chegou ao PS5 nesta semana em meio a uma recepção mista por parte da crítica e dos jogadores. Parte do público já vinha apontando nas redes sociais uma sensação de excesso de assistência dentro do jogo, com tarefas que praticamente se completam sozinhas. Em meio a esse clima já um tanto turbulento, um novo problema ganhou força rapidamente: uma placa de banheiro com figuras humanas sobrepostas e deformadas começou a circular como suposta prova de que a Insomniac teria utilizado inteligência artificial generativa na produção do título.
Segundo reportagem do site Kotaku, um vídeo publicado no TikTok mostrando o bug ultrapassou 700 mil visualizações. Uma publicação no X que questionava o uso de inteligência artificial no jogo, avaliado em cerca de 300 milhões de dólares de investimento, acumulou mais de 315 mil visualizações. A imagem mostra o lado masculino do banheiro com duas figuras humanas ocupando o mesmo espaço visual, um erro que rapidamente virou piada entre os jogadores nas redes.
A resposta direta de James Stevenson
Diante da repercussão crescente do caso, James Stevenson respondeu diretamente à publicação que deu início a toda a especulação em torno do suposto uso de IA:
“Não. Isso é um bug de mapeamento UV, e já temos uma correção a caminho. Não existem ativos gerados por IA em Marvel’s Wolverine.”
— James Stevenson, diretor de comunidade da Insomniac Games
O mapeamento UV é a técnica utilizada para projetar texturas bidimensionais sobre modelos tridimensionais dentro de um jogo. Quando esse processo falha, as texturas podem aparecer distorcidas, sobrepostas ou fora de lugar — exatamente o tipo de falha que a Insomniac atribui à placa problemática. Segundo o site Escapist Magazine, a explicação faz sentido técnico: a aparência da placa muda dependendo do ângulo e da captura de tela, o que é consistente com texturas colidindo entre si, e não necessariamente com um sistema automatizado de geração de imagens.
Uma resposta rápida, mas nem todos se convenceram
Apesar da explicação direta de Stevenson, muitos usuários seguiram questionando a lógica apresentada nas respostas à publicação original, mantendo o debate aceso nas redes sociais nos dias seguintes. O episódio ilustra um sintoma mais amplo do momento atual vivido pela indústria de games: qualquer falha visual em um jogo AAA hoje corre o risco de ser interpretada, com ou sem provas concretas, como evidência de uso de inteligência artificial generativa. O tema já provocou polêmicas parecidas em outras produções ao longo deste ano.
Vale destacar que, até o momento, não existe qualquer evidência técnica que contradiga a versão oficial da Insomniac. Bugs de mapeamento de textura são um problema comum e bem documentado dentro do processo de desenvolvimento de jogos, especialmente em títulos com elencos de personagens e cenários tão extensos quanto os de Marvel’s Wolverine.
Mais um item na lista de correções pós-lançamento
A Insomniac já havia sinalizado, desde o lançamento do jogo, a intenção de refinar a experiência do jogador com base no feedback recebido pela comunidade. O reparo da placa de banheiro deve entrar justamente nessa mesma leva de ajustes planejados. O estúdio, porém, ainda não divulgou uma data específica para a correção chegar via atualização.
Apesar de toda a polêmica em torno dos bugs visuais e das críticas sobre o nível de assistência ao jogador, o resultado comercial do título segue bastante forte. Marvel’s Wolverine segue como um dos títulos mais vendidos do catálogo do PlayStation neste ano. A Sony ainda não divulgou números oficiais de vendas, mas estimativas de mercado apontam a casa de 1,9 milhão de cópias comercializadas já nos primeiros dias de lançamento.
