Guillermo del Toro desiste de adaptar games após tentar filmar BioShock

Quem sonhava com um filme de “BioShock” dirigido por Guillermo del Toro pode desistir. Em conversa com o IGN, o cineasta mexicano confirmou que tentou adaptar o jogo — e saiu da experiência tão marcado que descarta mexer com games de novo.

“Tivemos uma ligação muito tensa sobre alguns jogos. Ao adaptar BioShock, tivemos algumas conversas. Foram provavelmente as piores ligações que já tive.”

— Guillermo del Toro

Perguntado se daria outra chance a uma adaptação, a resposta foi taxativa: “Nunca mais. Não, de jeito nenhum.”

Detalhes seguem em segredo

Del Toro não revelou com quem conversou nem qual seria sua função — se dirigiria, escreveria ou produziria. A tentativa aconteceu antes de a Netflix anunciar sua própria versão de “BioShock”, e o cineasta já havia demonstrado interesse pela história em 2017.

Linguagens diferentes

Para ele, o problema não é só de negócios. Games e cinema podem parecer próximos, mas constroem narrativas de formas distintas, como explicou segundo o ComicBook:

“Acho que a dinâmica de um videogame é muito diferente da de um filme. Podem ser cinematográficos em termos de câmera se movendo e tudo mais, mas a narrativa é muito diferente, porque você não está resolvendo quebra-cabeças. Você não está montando.”

— Guillermo del Toro
BioShock
BioShock – Divulgação / 2K Games

Um histórico de frustrações

As decepções do diretor com o meio vêm de longe. Ele esteve à frente de “InSane”, jogo anunciado com a THQ em 2010 e cancelado em 2012, e participou de “Silent Hills” ao lado de Hideo Kojima, outro projeto que nunca saiu do papel.

BioShock segue na Netflix

A adaptação do jogo tem sua própria saga. Em 2009, a Universal interrompeu uma versão de Gore Verbinski quando o orçamento chegou a cerca de US$ 160 milhões. Hoje, o projeto vive na Netflix, com direção de Francis Lawrence e roteiro de Michael Green.

Para os fãs, é difícil não lamentar: o estilo sombrio de del Toro combinaria perfeitamente com Rapture. Mas o desabafo também expõe como adaptar games ainda esbarra em orçamentos e choques criativos. Enquanto isso, o diretor segue concentrado na animação, bem longe dos controles.

Fontes

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