Gohan Beast e Orange Piccolo: as transformações mais odiadas de Dragon Ball merecem mais respeito

Transformações sempre foram a moeda mais valiosa de Dragon Ball. Desde os primeiros saltos para Super Saiyajin criados por Akira Toriyama até a avalanche de novas formas que Dragon Ball Super trouxe para a franquia, praticamente todo personagem relevante já ganhou seu próprio momento de poder redefinido. Mas duas dessas transformações nunca conseguiram escapar da desconfiança do público: o Gohan Beast e o Orange Piccolo. Passados quase quatro anos de sua estreia, ambas ainda dividem opiniões — e, na minha visão, seguem subestimadas.

Gohan Beast em Dragon Ball Super: Super Hero

A raiva de Gohan não é um atalho — é resgate

Comecemos pela crítica mais repetida: a de que as duas transformações foram “indevidas”, entregues sem o desenvolvimento necessário. É verdade que Gohan é conhecido, há anos, por desperdiçar seu potencial monstruoso, e colocá-lo repentinamente perto do nível de Goku e Vegeta soa, à primeira vista, como um desrespeito ao esforço que os dois Saiyajins vêm acumulando desde sempre.

Só que essa leitura ignora um detalhe importante: a raiva sempre foi a característica mais definidora de Gohan, muito antes de Dragon Ball Super sequer existir. Foi justamente essa raiva que o levou a superar Cell na batalha mais icônica de sua trajetória, décadas atrás. Durante boa parte de Dragon Ball Super, esse lado do personagem ficou praticamente esquecido, tratado como coisa do passado. O Gohan Beast não é um upgrade gratuito de poder — é o resgate de uma característica que o personagem carrega desde sua origem, finalmente reconhecida outra vez.

Orange Piccolo em Dragon Ball Super: Super Hero

Piccolo e o desejo às Esferas: mais simbólico do que parece

A transformação de Piccolo enfrenta uma acusação parecida — a de que um simples desejo às Esferas do Dragão seria um atalho fácil demais para justificar tanto poder de uma vez. Só que essa crítica também deixa passar um detalhe carregado de significado: Piccolo tem, dentro de si, uma parte de Kami, o criador original do próprio Shenlong. Quando o dragão decide conceder um bônus ao desejo de Piccolo — reconhecendo ali a presença de seu criador —, o gesto não é aleatório. É uma validação silenciosa de tudo o que Piccolo se tornou desde os tempos em que era apresentado como vilão da série original.

Por que a franquia precisava desse novo time

Ainda que a resistência inicial faça algum sentido — afinal, colocar personagens coadjuvantes tão perto do nível de Goku e Vegeta é uma decisão ousada —, o contexto por trás de cada uma dessas transformações revela escolhas cuidadosas, não atalhos narrativos. E há um ganho estrutural importante nisso tudo: pela primeira vez em muito tempo, Dragon Ball tem um time de guerreiros operando em um nível de força relativamente equivalente — Goku, Vegeta, Broly e agora Gohan e Piccolo.

Dragon Ball sempre foi, essencialmente, a história de Goku, e não há problema nenhum nisso — ele é o protagonista, afinal. Mas a próxima grande ameaça da franquia tem, agora, a oportunidade de ser enfrentada por um grupo coeso, e não apenas por Goku salvando o dia sozinho mais uma vez.

As transformações de Gohan e Piccolo podem até ter chegado de forma abrupta demais para o gosto de parte do fandom. Mas, do ponto de vista temático e narrativo, elas são acertos importantes para dois personagens que esperaram muito tempo por esse reconhecimento. Gohan Beast e Orange Piccolo merecem mais crédito do que costumam receber — e talvez seja hora de a comunidade rever essa opinião.

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