Ao longo de mais de quatro décadas, Dragon Ball se tornou sinônimo de transformações épicas. Das formas Super Saiyajin clássicas de Akira Toriyama ao caos de poder-ups que explodiu com Dragon Ball Super, cada personagem principal passou a ter sua própria transformação única. Mas nem todas foram recebidas com entusiasmo — e duas delas seguem sendo alvo de críticas até hoje: o Gohan Beast e o Orange Piccolo. Quase quatro anos depois de sua estreia, as duas formas continuam dividindo a comunidade. E as duas merecem muito mais crédito do que costumam receber.

Um filme que já começou na defensiva
Desde o primeiro anúncio, Dragon Ball Super: Super Hero enfrentou resistência. Colocar Gohan e Piccolo no centro da história — em vez de Goku e Vegeta — já era uma aposta arriscada para boa parte do fandom. Some a isso um estilo de animação híbrido 3D/2D completamente inédito para a franquia, e o ceticismo estava instalado antes mesmo de a primeira sessão começar. Quando o filme chegou aos cinemas em 2022 e apresentou as novas formas dos dois personagens, as críticas não demoraram.
A principal acusação era simples: as transformações eram indevidas. Gohan é conhecido por desperdiçar seu enorme potencial, e muitos fãs sentiram que colocá-lo próximo do nível de Goku e Vegeta de uma só vez desvalorizava décadas de esforço dos dois Saiyajins líderes. Já o Piccolo ter desbloqueado sua forma laranja por meio de um desejo às Esferas do Dragão soou como um atalho fácil demais.
Por que as críticas fazem sentido — mas não contam a história toda
As críticas não são completamente injustas. Mas elas ignoram o que as transformações representam tematicamente para cada personagem. No caso de Gohan, a raiva sempre foi uma de suas características mais marcantes — foi ela que o levou a superar o Cell na batalha mais icônica do personagem. Durante anos, Dragon Ball Super tratou essa faceta de Gohan como algo do passado, raramente explorando o potencial emocional que ele carrega. O Gohan Beast não é apenas um upgrade de poder: é o retorno de uma das qualidades mais essenciais do personagem, finalmente reconhecida e canalizada.

Piccolo e as Esferas do Dragão: uma conexão que vai além do acaso
Já o poder de Piccolo ter chegado via Esferas do Dragão é mais do que um conveniente deus ex machina — é um detalhe rico em simbolismo. Piccolo, afinal, carrega dentro de si uma parte de Kami, o criador original do Shenlong. Quando o dragão decide conceder um bônus ao desejo de Piccolo, reconhecendo a presença de Kami em seu interior, o gesto carrega um peso enorme para quem acompanha a trajetória do personagem desde seus dias como vilão. É uma validação silenciosa de quanto Piccolo mudou — e de quem ele sempre foi, no fundo.
Dragon Ball precisa apostar no seu novo time
Dragon Ball sempre foi, em grande medida, o programa do Goku — e com razão, já que ele é o protagonista. Mas com Gohan e Piccolo agora operando em um nível próximo ao de Goku, Vegeta e até Broly, a franquia tem pela primeira vez em décadas um time coeso de guerreiros com força equivalente. A próxima grande ameaça da série deveria ter esse grupo como resposta — não apenas Goku sozinho salvando o dia mais uma vez.
As transformações de Gohan e Piccolo podem ter chegado de forma abrupta. Mas do ponto de vista narrativo e temático, elas são escolhas acertadas para dois personagens que há muito mereciam esse momento. Gohan Beast e Orange Piccolo são melhores do que a comunidade costuma admitir — e está na hora de o fandom reconhecer isso.
