Um episódio de “Doctor Who” criado inteiramente por inteligência artificial — e aprovado pelo chefe da BBC. A declaração de Matt Brittin, diretor-geral da emissora, durante a RTS London Convention, provocou uma onda de reações negativas entre os fãs da série britânica.
O que foi dito
Brittin comentou um episódio produzido totalmente por IA, que não foi divulgado ao público, e classificou o resultado como bom. Para ele, a tecnologia pode ter um papel útil no processo criativo, sobretudo para reduzir custos, embora não espere que ela substitua os profissionais. Não há confirmação de que a IA será usada na produção oficial.
O fato de o executivo ter vindo do Google — ele assumiu a BBC em maio de 2026 — esquentou ainda mais a discussão.
A reação
Nas redes, muitos fãs disseram que a série perderia sua alma se adotasse IA generativa, e houve quem ironizasse que o único lugar aceitável para a IA em “Doctor Who” seria como vilã a ser derrotada pelo Doutor.

Um momento delicado
A fala chega em plena reestruturação. A Disney+ encerrou a parceria que dava à série um orçamento robusto, e a BBC conduz uma licitação para definir quem assume a produção, processo que deve ir até o fim de 2026. Em julho, Brittin tratou o fim do acordo como chance de renovação:
“Essa é uma produção que se regenerou diversas vezes em seus mais de 60 anos de história, e faremos isso de novo.”
— Matt Brittin, diretor-geral da BBC
Com menos dinheiro, a tentação de recorrer à IA cresce — e o embate entre economia e identidade criativa tende a marcar o futuro de uma das séries mais longevas da TV.
