Ben Affleck nunca escondeu que sua passagem pelo Batman teve altos e baixos. Em uma entrevista recente à Variety, o ator voltou ao assunto com franqueza: criticou a experiência em Liga da Justiça, refletiu sobre o tom dos filmes da DC e fez um elogio rasgado ao chefe da concorrência.
Uma experiência difícil
Affleck viveu Bruce Wayne em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, de 2016, e em Liga da Justiça, de 2017. Sobre o segundo, que passou por troca de diretor e refilmagens, ele foi direto.
Liga da Justiça teve muitos problemas e, para ser franco, não foi tão divertido.
Ben Affleck
Mesmo assim, o ator comemorou o fato de Zack Snyder ter conseguido lançar a própria versão do filme, o chamado Snydercut, que chegou ao streaming em 2021.
Sombrio demais?
Affleck também comentou a percepção de que os filmes daquela fase eram pesados demais e afastaram parte do público mais jovem. Para ele, a DC ficou presa entre dois caminhos.
Havia uma sensação de que o filme era meio escuro ou assustador demais e perdeu parte do público mais novo. Você vai até o fim e faz algo de classificação R pesada, como Coringa? Ou faz como a Marvel?
Ben Affleck
O ator ainda lembrou que boa parte do que torna os heróis da DC interessantes vem do legado de Frank Miller, autor de histórias marcantes do Batman como O Cavaleiro das Trevas, que também inspiraram o visual e o tom do seu Homem-Morcego.
O elogio a Kevin Feige
Quando o assunto foi a Marvel, o tom mudou. Affleck destacou a capacidade do presidente da Marvel Studios de entender o que o público quer.
Kevin Feige é uma espécie de gênio. Não consigo pensar em nenhum produtor no mundo capaz de dizer o que o público quer e acertar, exceto ele.
Ben Affleck
Um diagnóstico da antiga DC
A fala funciona quase como um resumo do que levou a DC a mudar de rumo. Sem um plano claro, a fase anterior oscilou entre o sombrio e o leve, e o resultado foi um universo sem identidade fixa. A trajetória turbulenta de Affleck como Batman é um bom retrato dessa instabilidade.
Hoje, com James Gunn e Peter Safran no comando da DC Studios, a proposta é justamente trabalhar com tons variados dentro de um mesmo universo: filmes mais luminosos, como Superman, convivem com apostas de terror como Cara-de-Barro. O desafio é alcançar a consistência que Affleck tanto elogia em Feige. Enquanto isso, o ator segue ativo atrás das câmeras, como contamos quando ele voltou a dirigir em um thriller da Netflix.
