Antes de Lex Luthor, Snyder queria Jesse Eisenberg como Jimmy Olsen

Zack Snyder tem o hábito de revelar bastidores de suas produções muito tempo depois da estreia, e a novidade mais recente muda a forma como se enxerga o elenco de “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”. Segundo o próprio diretor, Jesse Eisenberg quase não interpretou Lex Luthor: a ideia original era colocá-lo como Jimmy Olsen, o fotógrafo clássico dos quadrinhos do Superman que, no filme final, morre em cena sem sequer ser identificado pelo nome.

Um golpe de expectativa inspirado em Hitchcock

A lógica por trás da ideia era simples e cruel: se um ator do porte de Eisenberg surgisse dizendo ser Jimmy Olsen, o público assumiria de cara que ele teria participação longa na trama. Matar o personagem cedo demais geraria um choque genuíno, o mesmo efeito que Alfred Hitchcock buscou em “Psicose” ao matar a protagonista logo no início — decisão tão calculada que o diretor chegou a proibir que espectadores entrassem na sala após o começo da sessão.

“Eu pensei assim: se fosse o Jesse Eisenberg e ele saísse e dissesse ‘eu sou o Jimmy Olsen’, você pensaria ‘meu Deus, vamos ter o Jimmy Olsen no filme inteiro’. Aí, se ele levasse um tiro, você ficaria tipo ‘o quê? Você não pode fazer isso’.”

— Zack Snyder, à EW

Jimmy Olsen em Batman vs Superman
Jimmy Olsen em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça – Reprodução/Warner Bros./DC

Por que a ideia mudou de rumo

Ao apresentar o plano a Eisenberg, Snyder percebeu o ator pensando demais sobre a personagem, e foi nesse momento que decidiu testá-lo como uma versão diferente de Lex Luthor. O papel de Jimmy Olsen acabou com Michael Cassidy, de “The O.C.”, sem o mesmo peso de reconhecimento imediato que Eisenberg traria ao lado.

O truque de matar um rosto famoso não é exclusividade de Snyder

Anos depois, “Pânico” repetiu a fórmula ao eliminar Drew Barrymore nos primeiros minutos, mesmo com o rosto da atriz estampado na divulgação do filme. Mais recentemente, o sexto longa de “Todo Mundo em Pânico” inverteu essa lógica ao mostrar Teyana Taylor derrotando Ghostface logo na abertura — cena que depois se revela parte de um filme dentro do filme.

O truque teria funcionado num elenco tão grande?

É difícil garantir que a estratégia surtiria o efeito esperado: “Batman Vs Superman” reúne um elenco numeroso demais para que o público apostasse com certeza em quem sobreviveria até os créditos. Jason Momoa, por exemplo, foi anunciado como Aquaman ainda no início da produção, mas apareceu apenas em um vídeo breve dentro da trama, e a cadeira de rodas explosiva de Scoot McNairy tinha o mesmo objetivo de pegar a plateia desprevenida.

Eisenberg acabou seguindo como Lex Luthor por mais tempo, repetindo o papel em “Liga da Justiça” e no chamado Snyder Cut, embora boa parte dos planos originais do diretor para o vilão nunca tenha chegado às telas. Fica ainda a curiosidade sobre como o público teria reagido caso Bryan Cranston, cotado à época, tivesse ficado com o papel de Luthor no lugar dele.

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