Quem foi assistir Homem-Aranha: Um Novo Dia também foi esperando ver o retorno do chamado Hulk Selvagem, e viu. A presença de Bruce Banner e do Gigante Esmeralda foi um dos maiores atrativos da campanha, mas o resultado final ficou aquém do prometido.
O que o filme entrega de fato
O personagem interpretado por Mark Ruffalo aparece em apenas duas sequências relevantes. Na primeira, Peter Parker procura o cientista em uma universidade onde ele agora leciona, e a conversa gira em torno de modificação genética e supressão de características — é dali que o protagonista tira a ideia central que move o restante da trama. A segunda aparição é puro espetáculo: alguém retira dele o dispositivo que mantém a criatura sob controle, e o caos se instala.
Vale registrar o mérito antes da crítica: aquela sequência figura entre as melhores já produzidas com o personagem dentro da franquia, e entrega algo inédito — é a primeira vez que o gigante e o aracnídeo dividem cena em ação, algo que nem Vingadores: Ultimato proporcionou, apesar de ambos integrarem a equipe. O Justiceiro, vivido por Jon Bernthal, entra na confusão e demonstra medo genuíno diante da força do adversário, em um dos momentos mais divertidos do longa.
O problema não é a qualidade
O ponto principal está justamente aqui: o Hulk funciona como peça de ação, e não como elemento de história. Depois daquela sequência, ele é levado de ambulância e some do filme. A trama se fecha na vida pessoal do Homem-Aranha e nos vilões, sem que a participação dele deixe consequência alguma.

A comparação com a trilogia anterior é reveladora: Tony Stark, Nick Fury e Stephen Strange tiveram tempo de tela parecido naqueles filmes, mas todos afetaram o rumo das histórias. Existe ainda um agravante conhecido — praticamente todas as cenas do personagem já haviam aparecido em trailers e comerciais. A Marvel tem histórico nesse sentido, com exceção notável em Sem Volta Para Casa, quando a produção conseguiu segurar o retorno de Tobey Maguire e Andrew Garfield até a estreia.
Uma ponta solta que ficou de fora
Há um detalhe que decepcionou os leitores mais atentos: a série da Mulher-Hulk, protagonizada por Tatiana Maslany, revelou que o cientista tem um filho, e o filme ignora completamente esse fio. Aquela produção foi apresentada como uma passagem de bastão entre os dois personagens, e o novo longa não retoma nada disso. Não é a primeira ponta solta que o estúdio deixa pelo caminho — a franquia acumula mistérios não resolvidos desde a era dos Vingadores originais, alguns com quase uma década de idade.
O contraponto
Existe uma defesa razoável para a escolha: o filme se propõe a reconstruir o protagonista do zero, e um coadjuvante com arco próprio roubaria espaço justamente do que importa. Ruffalo, aliás, já demonstrou querer mais para o personagem em outras ocasiões — o Gigante Esmeralda segue sendo um dos heróis mais reconhecíveis da casa sem qualquer filme solo desde 2008.
O peso histórico dele na franquia, porém, é inegável: foi esse personagem quem executou o estalo que trouxe metade do universo de volta à vida, feito que nenhum outro herói suportaria. Talvez seja justamente esse o problema — quem carregou um desfecho daquele tamanho merece mais do que uma sequência de ação bem coreografada.
