Após uma estreia cercada de críticas, a Insomniac Games promete consertar “Marvel’s Wolverine” com base no feedback dos jogadores. A grande pergunta que fica no ar é se o jogo pode repetir a famosa história de redenção de “Cyberpunk 2077”, ou se os problemas apontados vão além do que uma simples atualização consegue resolver.
A Insomniac já admite que está “na cozinha”
O lançamento de “Marvel’s Wolverine”, em 15 de setembro, veio acompanhado de nota 78 no Metacritic e de uma enxurrada de reclamações sobre a gameplay considerada simplificada. A resposta do estúdio, porém, foi rápida. No próprio dia da estreia, a Insomniac publicou um comunicado afirmando estar ativamente engajada com a comunidade e coletando feedback para refinar a experiência, como registrou o site tbreak.
Quem foi mais direto foi o diretor de comunidade da Insomniac, James Stevenson, em publicação em sua conta no X (antigo Twitter):
“Estamos ouvindo 100% nos últimos dias, e a equipe cozinhou pesado hoje em resposta a parte do feedback, caso vocês estivessem se perguntando de onde vinha o cheiro na nossa cozinha.”
— James Stevenson
Segundo o site Se7en, o estúdio ainda não detalhou quais mudanças virão nem divulgou um cronograma de atualizações, mas o tom das declarações deixa claro que ajustes estão a caminho.
O precedente que todo mundo lembra
Sempre que um jogo grande tropeça na estreia, um nome volta à conversa: “Cyberpunk 2077”. O RPG da CD Projekt Red chegou em dezembro de 2020 em estado bastante problemático nos consoles, a ponto de sair da PlayStation Store por meses, com direito a reembolsos em massa. Três anos depois, a história era completamente diferente. A redenção veio aos poucos, por meio de dezenas de correções, da atualização 2.0, da expansão “Phantom Liberty” e do impulso dado pelo anime “Cyberpunk: Edgerunners”. No fim, o jogo se tornou queridinho da comunidade e ultrapassou dezenas de milhões de cópias vendidas.
“No Man’s Sky” percorreu um caminho parecido, saindo de uma das estreias mais criticadas da década para se tornar sinônimo de suporte exemplar a longo prazo. Ou seja, existe um roteiro conhecido para a volta por cima. A dúvida é se ele se aplica ao caso do Logan.
O que dá para consertar em Wolverine
Boa parte das reclamações contra “Marvel’s Wolverine” mira elementos que podem ser ajustados via atualização. A trilha de faro que guia o jogador até os objetivos é um bom exemplo: criticada por parte do público como excesso de auxílio e sem opção de desativação, ela poderia ganhar um simples botão de liga e desliga. Os trechos apelidados de “Fake Time Events”, em que a cena avança mesmo sem qualquer input do jogador, também poderiam receber consequências reais. Ajustes visuais em modelos de personagens são igualmente viáveis no pós-lançamento.
O estúdio, aliás, já começou a agir nesse sentido. De acordo com o MP1st, o patch de estreia corrigiu bugs de progressão e de dublagem, além de adicionar, sem alarde, a opção de um Logan barbudo, atendendo a um pedido antigo dos fãs.
O que nenhuma atualização resolve
Por outro lado, as críticas mais estruturais estão fora do alcance de qualquer patch. A estrutura linear do jogo, a campanha de cerca de 15 horas e o design dos chefes são decisões que já estão cravadas na fundação do projeto.
O mesmo vale para o preço de cerca de R$ 400 na edição padrão, sujeito a variação conforme a loja. Nesse ponto, a comparação com “Cyberpunk 2077” tem um limite importante: o jogo da CD Projekt Red era tecnicamente quebrado, e consertar os bugs restaurou a visão original do projeto. Já “Marvel’s Wolverine” roda bem tecnicamente — o incômodo de parte do público está no próprio design das mecânicas, não em falhas técnicas.
Um veredito que só o tempo dará
A boa notícia para a Insomniac é que a base do jogo é sólida. O combate brutal e a construção do Logan foram elogiados até pelas análises mais duras, e a nota dos jogadores na PlayStation Store segue bem acima da avaliação da crítica especializada.
Se o estúdio entregar as opções de acessibilidade e os ajustes que a comunidade pede, a percepção pode mudar rapidamente. Uma volta por cima completa, no estilo “Cyberpunk 2077”, é mais difícil de repetir, mas transformar uma estreia turbulenta em uma história de recuperação parcial já seria uma vitória, especialmente com uma trilogia de X-Men no horizonte do estúdio.
