Pouco mais de um ano após o lançamento conturbado de “MindsEye”, a Build a Rocket Boy enfrenta mais uma rodada de demissões. Desta vez, o tom das mensagens de despedida publicadas por ex-funcionários sugere que o fim da empresa pode estar cada vez mais próximo.
Um ano de crises desde o lançamento
A Build a Rocket Boy, estúdio fundado pelo ex-executivo da Rockstar North Leslie Benzies, lançou “MindsEye” há pouco mais de um ano. O jogo de tiro em terceira pessoa se transformou em fonte constante de problemas: recebeu forte rejeição do público, gerou acusações legais graves e teve um desempenho comercial tão fraco que já motivou diversas rodadas de cortes de pessoal na empresa.
Segundo apuração do site TheGamer, o estúdio agora atravessa um novo corte de funcionários. Diferente das rodadas anteriores, o tom das despedidas compartilhadas nas redes sociais desta vez soa mais definitivo, levantando dúvidas sobre o futuro da companhia.
Quarta rodada de cortes desde o lançamento
De acordo com o Checkpoint Gaming, esta é pelo menos a quarta onda de demissões na Build a Rocket Boy desde o lançamento de “MindsEye”. A primeira leva, ainda em 2025, atingiu cerca de 300 funcionários, seguida por novos cortes em março e maio deste ano — reduzindo drasticamente o tamanho da equipe original.
Os problemas não pararam nos números de demissões. A empresa também encerrou sua parceria de publicação com a IO Interactive, enfrentou acusações de monitoramento secreto de funcionários por meio de softwares de vigilância corporativa e chegou a mover uma ação judicial milionária contra supostos “sabotadores” que teriam prejudicado o desempenho do jogo.
As despedidas que preocupam a comunidade
Um dos relatos mais comentados partiu do ex-funcionário de recursos humanos Dan Hawkins, que publicou uma mensagem de despedida em sua rede profissional:
“Com o coração pesado, ergui minha bandeira verde, junto com o restante dos meus colegas na Build a Rocket Boy. Estarei acompanhando a BARB até o fim, ajudando a encerrar as coisas aqui no departamento de RH.”
— Dan Hawkins (tradução livre)
Outra ex-funcionária do estúdio, Michaela Emslie, publicou um relato semelhante, mas indicando que nem todos os colegas foram atingidos desta vez — segundo ela, recebeu o aviso de dispensa junto de parte da equipe, sugerindo que o corte, embora significativo, não afetou a totalidade do time remanescente.
A tese de sabotagem que nunca convenceu o público
Desde o lançamento decepcionante de “MindsEye”, a liderança da Build a Rocket Boy sustenta a mesma versão: uma rede organizada teria sido paga para prejudicar o jogo antes e depois do lançamento. A empresa chegou a lançar um conteúdo adicional batizado de “Blacklisted”, prometendo expor os supostos responsáveis, mas o material foi amplamente recebido pela imprensa e pelos fãs como pouco mais que uma manobra publicitária.
Enquanto isso, ex-funcionários continuam denunciando publicamente as condições de trabalho na empresa, incluindo jornadas extenuantes nos meses que antecederam o lançamento e processos de demissão conduzidos de forma confusa.
O que vem a seguir
Até o momento, a Build a Rocket Boy não se pronunciou oficialmente sobre esta nova rodada de cortes. Diante do histórico acumulado de polêmicas, processos judiciais e demissões sucessivas, fica a dúvida se o estúdio ainda tem fôlego para se reerguer ou se esta é a reta final de uma trajetória que começou cercada de expectativa em torno do nome de Leslie Benzies e de seu legado na franquia “GTA”.
