Marvel’s Wolverine: o que a crítica realmente achou do jogo?

O embargo de análises de “Marvel’s Wolverine” caiu no dia 10 de setembro, cinco dias antes do lançamento oficial no PS5. Com a poeira das prévias assentando, os números da recepção profissional finalmente chegaram — e contam uma história mais complexa do que os dois lados da polêmica pré-lançamento gostariam de admitir.

Marvel's Wolverine
Marvel’s Wolverine – Divulgação/Insomniac Games

Os números da estreia

O resultado consolidado no Metacritic ficou em 78 pontos, com base em 112 análises, dentro da faixa “geralmente favorável” do agregador. No OpenCritic, a média ficou entre 79 e 80 pontos, com cerca de três quartos dos críticos recomendando o jogo. Um detalhe costuma passar batido nas discussões: nenhuma análise registrada no Metacritic foi negativa. Cerca de 75% das notas foram positivas, e o restante ficou no campo misto — bem longe do desastre que os memes sugeriam nas semanas anteriores.

Por que a nota ainda assim decepciona

O problema está no contexto. A nota 78 faz de “Marvel’s Wolverine” o jogo original com pior avaliação da Insomniac Games em uma década — o último caso havia sido “Song of the Deep”, de 2016. A comparação com a própria trilogia “Marvel’s Spider-Man” do estúdio é ainda mais dura: o primeiro jogo marcou 87, “Miles Morales” fez 85 e “Marvel’s Spider-Man 2” chegou a 90. Para um estúdio acostumado à aclamação quase unânime, a recepção mais fria chama atenção.

Uma crítica profundamente dividida

Poucas vezes um grande lançamento dividiu tanto a imprensa especializada. Na ponta de baixo, veículos de peso como IGN, GameSpot, GamesRadar+, Eurogamer e The Guardian deram notas equivalentes a 6 de 10, com termos como “básico demais” aparecendo em mais de uma análise — o piso ficou em 50, a nota mais baixa registrada. Na ponta oposta, o jogo recebeu cinco notas máximas de veículos menores, além de avaliações 8 e 8,5 de TheGamer, Game Rant, Push Square, Destructoid e Wccftech. A IGN Brasil, na contramão da matriz americana, deu 85. O racha é claro: quem valoriza narrativa emocional e campanha enxuta amou; quem esperava a amplitude dos jogos do Homem-Aranha saiu frustrado.

O que quase todo mundo elogiou

Apesar da divisão, dois pontos aparecem elogiados em praticamente todas as análises, favoráveis ou não. O primeiro é o combate, descrito como brutal e visceral, com finalizações à altura do personagem. O segundo é a construção do próprio Logan, com destaque para a atuação de Liam McIntyre no papel e o mergulho no passado pré-X-Men do mutante. A apresentação visual e as cenas cinematográficas também receberam elogios consistentes, e a campanha mais curta — na faixa das 15 horas — foi vista por parte da crítica como um ponto positivo, por evitar conteúdo de preenchimento.

Onde o hate acertou na mosca

Agora, a parte incômoda para a Insomniac. As críticas mais recorrentes nas análises batem exatamente nos pontos que a onda de hate já apontava semanas antes, com base apenas nas prévias: a estrutura linear demais, a repetição do combate após algumas horas, a pouca variedade de inimigos e a história previsível aparecem em dezenas de textos. Até a reclamação sobre o jogo “pegar na mão” do jogador se confirmou — sistemas de orientação constantes, como uma trilha que guia o caminho, foram citados como um problema por reduzirem a autonomia de quem joga. O aproveitamento raso de personagens secundários, incluindo o sumiço da Mística por longos trechos, também apareceu nas análises.

Então, o hate tinha razão?

A resposta honesta é: em parte. As reclamações estruturais das prévias se confirmaram na crítica profissional, o que indica que nem tudo era exagero de algoritmo. Por outro lado, o jogo que os memes pintavam como vergonhoso terminou com avaliação positiva e zero análises negativas, com elogios quase unânimes ao combate e ao protagonista. “Marvel’s Wolverine” parece ser exatamente o que a nota sugere: um bom jogo, com problemas reais de design, que sofre principalmente pela régua altíssima que a própria Insomniac criou. Resta saber como o público vai recebê-lo a partir de 15 de setembro — e o preço de R$ 400 na versão padrão deve pesar bastante na decisão dos jogadores brasileiros.

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