Atenção: este texto revela detalhes do final da segunda temporada de Magnatas do Crime.
A segunda temporada de Magnatas do Crime terminou deixando Eddie Horniman irreconhecível. Em entrevista à Netflix, o roteirista Matthew Read e os protagonistas da série detalharam as decisões por trás do desfecho e explicaram como o aristocrata que só queria tirar criminosos da propriedade da família se transformou em alguém capaz de violência extrema.

A pergunta que guiou a temporada toda
Segundo Read, todo o arco de Eddie nasceu de uma dúvida simples: será que ele quer poder demais, a ponto de perder a própria alma na tentativa de subir? A resposta chega justamente no encerramento, quando o protagonista mostra do que é capaz para se manter no topo.
A morte que muda tudo
O golpe mais duro da temporada acontece bem no meio da trama: Bella, vivida por Benedetta Porcaroli, morre poucas horas depois de se casar com Eddie, vítima de um atentado. Read conta que a escolha foi calculada pela equipe de roteiro, que queria expor a vulnerabilidade do protagonista justamente no momento em que ele parecia mais próximo da felicidade.

Theo James vai além na leitura do próprio personagem: para o ator, Bella havia despertado em Eddie a possibilidade de uma vida boa, longe da destruição que cerca sua família. A perda dela, portanto, desmonta por completo o senso de identidade que ele vinha tentando reconstruir.
A traição que vinha de dentro de casa
A investigação sobre o atentado leva a um nome próximo demais: Freddy, irmão mais velho de Eddie, participou do plano ao lado de Gospel John, criminoso que o manipulou durante o processo de reabilitação. Read explica que a equipe chegou a considerar vários vilões externos, mas decidiu que trazer a ameaça para dentro da própria família tornaria a reviravolta muito mais impactante — afinal, o ressentimento de Freddy por ter perdido a herança de Halstead para o irmão mais novo já vinha de longa data.

Por que Eddie não puxa o gatilho ele mesmo
O desfecho escolhido pelos roteiristas tem uma lógica particularmente cruel: em vez de matar o irmão ou o mandante do atentado com as próprias mãos, Eddie obriga Freddy a executar Gospel John. James explica o raciocínio do personagem: ao forçar o irmão a agir, Eddie se vinga e, ao mesmo tempo, quebra o domínio que Gospel John exercia sobre Freddy.
Read enxerga ainda uma camada extra nessa escolha, comparando a trajetória de Eddie a um clássico do cinema: “Quanto de si mesmo ele perde ao se vingar de todos que o feriram? Eu vejo O Poderoso Chefão: Parte II como referência: é a história de um homem cada vez mais capaz de usar a inteligência para derrotar inimigos, perdendo parte de si no processo.”
Susie traça seu próprio caminho
Enquanto Eddie mergulha na brutalidade, sua parceira Susie segue por outra direção. Kaya Scodelario conta que a personagem percebe não poder mais viver sob a sombra do nome do pai, e já vinha se movimentando em silêncio para construir relações próprias enquanto Bobby Glass planejava a expansão do império da família. A atriz também fez questão de descartar um clichê: segundo ela, a chegada de Bella nunca foi pensada como um triângulo amoroso, já que a produção não tinha interesse nesse tipo de trama.

O que esperar da 3ª temporada
Todos os lados terminam a temporada querendo crescer, mas cada um por conta própria: Bobby sonha com um império que se espalhe pela Europa, Susie monta sua própria estrutura, e Eddie se recusa a obedecer a qualquer um. A grande dúvida recai sobre o protagonista, que termina mais forte do que nunca — com uma capacidade de brutalidade que o Eddie da primeira temporada certamente não reconheceria.
