Hoje, um único vilão como o Conde Nefaria já é capaz de derrubar os Vingadores sozinho. É esse tipo de inflação de poder que explica por que reunir os piores inimigos de uma equipe de heróis num grupo só — antes garantia de clássico instantâneo nos quadrinhos da Marvel — praticamente desapareceu das prateleiras nas últimas décadas.

Três equipes nasceram junto com o próprio universo Marvel
A Marvel causou um estrondo em 1961 com Quarteto Fantástico #1, dando início ao universo moderno da editora — que, diferente da DC, praticamente começou do zero, criando heróis e vilões inteiramente novos. Até 1963, já existiam três equipes de heróis (Vingadores, X-Men e o próprio Quarteto Fantástico), e cada uma precisava de um espelho maligno à altura: nasceram assim a Irmandade dos Mutantes, os Mestres do Terror e o Quarteto Sinistro.
O Quarteto Sinistro praticamente desapareceu da memória dos fãs, mas a Irmandade e os Mestres do Terror seguiram relevantes e estrelaram algumas das melhores histórias dos anos 80 — antes de também perderem força com o tempo.
Elas ainda aparecem, mas sem o mesmo peso
Equipes de vilões continuam surgindo na Marvel atual, só que sem o mesmo impacto de antes. Os Mestres do Terror retornaram recentemente em Um Mundo Sob Destino; uma fusão entre o Clube do Inferno e a Irmandade estreou como Irmandade Infernal em X-Men: The Hellfire Murder #1; a fase de cinco anos de Jason Aaron nos Vingadores trouxe os Mestres do Terror Multiversais; e Jed MacKay introduziu a Corte do Crepúsculo, grupo baseado em lendas arturianas. Nenhum desses grupos, porém, conquistou o status de ameaça definitiva.

O problema é que ninguém mais precisa de reforços
A Irmandade, fundada por Magneto, reunia os vilões mais poderosos dos X-Men; os Mestres do Terror formavam um exército capaz de desafiar os Heróis mais Poderosos da Terra. Grupos posteriores — Cavaleiros do Apocalipse, Clube do Inferno, Dark Riders, Saqueadores, Ordem Negra, Cabala — também tiveram seus momentos, mas nenhum alcançou o status de arqui-inimigo definitivo de uma equipe. O motivo central é justamente essa inflação de poder: com os níveis de ameaça do universo Marvel em constante crescimento, um único vilão de peso já resolve o que antes exigia um grupo inteiro, relegando as equipes vilanescas a capangas descartáveis diante de ameaças maiores.
Thunderbolts e eventos cósmicos também pesaram
A chegada dos Thunderbolts — grupo formado por membros dos próprios Mestres do Terror se passando por heróis — mudou a forma como os fãs enxergam os antagonistas, revelando camadas que o conceito de “equipe vilanesca pura” não suportava mais. Somando isso à redenção de tantos vilões ao longo dos anos e à escala cada vez maior dos grandes eventos (é difícil competir com um Thanos destruindo seres cósmicos inteiros), um confronto entre o Quarteto Fantástico e o Quarteto Sinistro simplesmente não tem mais o mesmo peso que teve nos anos 60. Ainda assim, nenhuma ideia realmente morre nos quadrinhos — essas equipes só estão esperando a próxima chance de brilhar.
