Enquanto negociava a alma de Steve Rogers, Mephisto soltou um comentário que os roteiristas fizeram questão de ilustrar: Steve não seria o primeiro homem bom a fechar um pacto com ele. A arte que acompanha a fala mostra o Homem-Aranha sem máscara numa sacada de hospital — referência direta a “Um Dia a Mais”, a história em que Peter Parker e Mary Jane trocaram o próprio casamento pela vida da Tia May. Nos quadrinhos atuais do Capitão América, a Marvel decidiu repetir a jogada com o herói mais correto do universo.

Como Steve Rogers foi parar no Inferno
Enquanto o cinema prepara Vingadores: Doutor Destino, os quadrinhos já promoveram sua própria reviravolta: a aparente morte do Capitão América, na verdade um coma causado por um confronto com o Hulk Vermelho ao tentar impedir uma invasão do general Ross a Latveria. O que ninguém esperava é que o herói fosse parar no reino de Mephisto — arrastado para lá pelo próprio Doutor Destino, que usou poderes mágicos para tentar transformar Rogers em seu campeão contra o demônio.
Dois acordos, duas naturezas diferentes
Em Capitão América #15, escrita por Chip Zdarsky com arte de Valerio Schiti, Destino e Rogers levam a luta até Mephisto sem chance alguma — aquele território pertence só a ele, que ri da dupla: um carrega pecado e ego suficientes para achar que o Inferno foi feito para ele; o outro é tão bom que seu simples toque já causa dor ao próprio demônio. É aí que Mephisto revela que Rogers não está morto, apenas preso entre a vida e a morte, com a morte levando vantagem — e oferece um acordo a cada um.
A Destino, a chance de reviver, com a condição de que, na próxima morte, não haverá retorno: ele pertencerá a Mephisto para sempre, assim como Valeria, seu antigo amor, perderia a liberdade de circular pelo reino. Destino aceita sem hesitar, como seria de se esperar do personagem.

A proposta impossível de recusar
Para o Capitão América, a oferta é de partir o coração: liberdade para o planeta inteiro, exceto para ele mesmo — um mundo sem ditaduras, sem governantes autoritários, todos vivendo sob democracias. Em troca, Rogers precisaria se tornar um ser altruísta pela eternidade. Ele aceita, entregando a própria alma ao demônio — decisão que, para muitos leitores, pode ser ainda mais chocante do que quando o herói foi revelado como agente da Hydra na saga Secret Empire, ainda que aquela mudança tenha sido revertida logo depois.

Um pacto que pode não ter volta
A diferença é que “Um Dia a Mais” nunca foi revertido nos quadrinhos, mesmo décadas depois de publicado — e essa ligação entre Mephisto e heróis “bons demais para o próprio bem” segue rendendo discussão entre os fãs até hoje. Resta saber se o Capitão América vai recuperar sua alma algum dia, ou se o universo Marvel vai realmente seguir cheio de democracias pacíficas às custas da liberdade de seu maior ícone.
