Em 2017, a Nintendo entregou o remake de “Metroid 2: Return of Samus” a um estúdio espanhol sem qualquer vínculo prévio com a empresa. Quase uma década depois, aquela decisão aparentemente arriscada é a razão pela qual “Metroid Ravenous” existe — e o padrão por trás disso diz mais sobre a estratégia da Nintendo do que qualquer anúncio isolado de Direct.

Da MercurySteam ao maior exclusivo de 2027
O estúdio em questão, MercurySteam, havia desenvolvido “Castlevania: Lords of Shadow” e já dominava o gênero metroidvania — mas nunca tinha trabalhado com a Nintendo. Ainda assim, “Metroid: Samus Returns”, lançado para 3DS, foi bem recebido pela crítica e ajudou a reviver uma franquia que parecia esquecida. Em vez de manter o estúdio fazendo apenas remakes, a Nintendo deu à MercurySteam liberdade total para criar um jogo original na sequência: “Metroid Dread”, que expandiu combate e exploração da série e investiu pesado em direção cinematográfica.
Esse aprendizado chega agora a “Metroid Ravenous”, nova aventura 2D de Samus Aran marcada para 28 de janeiro de 2027, que deve liderar os lançamentos do Switch 2 no ano que vem. O trailer de revelação mostra a heroína devorando inimigos para sobreviver, em uma mecânica de absorção de energia que parece evoluir a base construída em “Samus Returns” sem repetir fórmulas já conhecidas.
O mesmo roteiro se repete com a Grezzo
A Nintendo vem repetindo essa estratégia com sucesso na última década, usando remakes como um terreno de testes seguro para parceiros externos. A Grezzo, responsável pelo remake de “The Legend of Zelda: Link’s Awakening” em 2019, passou no teste com louvor e avançou para um projeto bem mais experimental: “The Legend of Zelda: Echoes of Wisdom”, jogo original que colocou a própria Zelda no controle e reinventou a fórmula clássica da série com foco em quebra-cabeças.

Onde entram Star Fox 64 e Super Mario RPG
Embora a Nintendo ainda não tenha confirmado oficialmente o estúdio por trás de “Metroid Ravenous”, tudo indica que a MercurySteam segue no comando — consolidando uma posição de confiança grande o suficiente para receber liberdade criativa de novo, em vez de simplesmente lançar outro remake. É esse mesmo pipeline que vale observar em outros nomes: o remake de “Star Fox 64” deste ano, da Velan Studios, não empolga tanto por si só, mas mostra que o estúdio domina os fundamentos da série e já consegue explorar melhor a narrativa. O ideal seria vê-lo receber as rédeas da franquia para criar algo original — o mesmo vale para a ArtePiazza, responsável por um remake competente, ainda que conservador, de “Super Mario RPG” em 2023.
O remake de hoje pode ser o anúncio mais empolgante de amanhã
Vale lembrar dessa lógica na próxima vez que a Nintendo anunciar um projeto como o remake de “Ocarina of Time”. Gostando ou não da ideia, a empresa já provou que sua estratégia de remakes traz retorno no longo prazo — o que parece apenas mais uma revisão nostálgica hoje pode preparar terreno para o anúncio mais empolgante de uma Nintendo Direct daqui a cinco anos.
