Pedido para se descrever como uma máquina, Dolph Lundgren ficou alguns segundos em silêncio antes de responder: um veículo blindado, lento mas incansável, que segue empurrando para frente mesmo sob fogo de artilharia. “Como um tanque”, resumiu. A resposta rendeu boas risadas na coletiva de imprensa para a América Latina e o Brasil, da qual o Ei Nerd participou, sobre o novo projeto do ator: Grandes Máquinas da História, série que ele apresenta e produz para o History Channel.

Um currículo raro entre astros de ação
Além de Ivan Drago e de sua passagem por Os Mercenários, Lundgren é engenheiro químico com mestrado e chegou a receber uma bolsa Fulbright para estudar no MIT. A formação vem de família: o pai e os dois irmãos dele também são engenheiros, e o ator conta que lê sobre ciência e máquinas desde criança. Ele cursou cinco anos de engenharia química, fez mestrado na área, serviu um ano no exército sueco e teve história da guerra como matéria secundária na faculdade.
“O maior inventor é a mente humana”
Questionado sobre quem seria o maior inventor da história, Lundgren citou Thomas Edison, Isaac Newton e Henry Ford — mas recusou a premissa da pergunta. Para ele, invenções raramente pertencem a uma única pessoa: alguém formula a base científica, outro desenvolve a teoria, e uma corporação transforma aquilo em algo de uso cotidiano. “O maior inventor de todos os tempos é a mente humana”, concluiu.
Sobre o que move a humanidade a criar máquinas, ele apontou a sobrevivência como resposta a uma jornalista paraguaia presente na coletiva: quase todo maquinário nasce de uma necessidade concreta, seja vencer uma guerra, aquecer um espaço ou se mover mais rápido, e isso faz parte da própria evolução da espécie.

Quando a ficção virou realidade
Lundgren lembrou que já interpretou uma “máquina” em Rocky IV, no papel do lutador criado pelo sistema soviético — e revelou que os equipamentos de ginástica usados nas cenas de treino do filme não existiam comercialmente na época, mas hoje são comuns em academias do mundo todo. Ele também citou Soldado Universal, sobre soldados com membros artificiais, e brincou que hoje carrega próteses reais no tornozelo e no quadril.
Autocrítica e planos para uma 2ª temporada
Ao ser questionado sobre o maior desafio de migrar do cinema para o documentário, o ator foi honesto: o formato de apresentador, gravando episódio atrás de episódio diante de um teleprompter, pareceu corrido demais. Se pudesse refazer o projeto, gostaria de mais tempo e de uma abordagem mais cinematográfica. Para uma eventual segunda temporada, ele adiantou que gostaria de incluir máquinas ligadas à própria carreira, vindas de filmes como Os Mercenários e do próprio Rocky IV.
Livro e documentário sobre o câncer
Lundgren aproveitou a coletiva para adiantar dois projetos pessoais: uma autobiografia pela HarperCollins e um documentário que chega ao streaming, no qual fala abertamente sobre a batalha contra o câncer que enfrentou. Segundo ele, quem tem notoriedade tem o dever de se pronunciar sobre esses temas — algo que deu propósito ao que viveu. O trecho mais citado do livro, segundo o próprio ator, é sobre a infância e as tentativas de entender por que tomou certas decisões ao longo da vida: “Eu sou um rio que estou aprendendo a atravessar”, resumiu.
Quando estreia
Grandes Máquinas da História chega ao History Channel em outubro, passando por criações que vão da Roma Antiga ao foguete Saturn V e aos pousos da SpaceX.
