Diretora de Matrix critica J.K. Rowling em meio a novo Harry Potter na HBO

A produção da nova série de “Harry Potter” pela HBO reacendeu um debate que acompanha J.K. Rowling há anos: o quanto sua postura pública sobre questões de gênero deveria pesar na forma como o público consome o universo bruxo. Dessa vez, quem entrou na discussão foi Lilly Wachowski, diretora conhecida por seu trabalho em “Matrix”, em entrevista à revista Variety.

Harry Potter na HBO
Harry Potter – Divulgação / HBO

O argumento de Wachowski

Questionada sobre a relação entre Rowling e a nova série, Wachowski defendeu que consumir produtos ligados à franquia significa, na prática, sustentar financeiramente causas que a autora apoia e que, na avaliação da diretora, prejudicam pessoas trans — grupo do qual a própria cineasta faz parte. Ela comparou a situação a boicotes de consumo já vistos em outras pautas, como questões ambientais, argumentando que apoiar produções ligadas ao nome de Rowling equivaleria a validar posicionamentos que considera nocivos.

A resposta do lado de Rowling

O agente de J.K. Rowling, Neil Blair, respondeu à Entertainment Weekly defendendo o direito da autora à liberdade de expressão e pedindo que suas posições sejam representadas com precisão. Segundo ele, o J.K. Rowling Women’s Fund financia ações judiciais no Reino Unido voltadas a preservar direitos já garantidos às mulheres pela legislação britânica de igualdade, e não apoia medidas que restrinjam direitos de pessoas trans. Blair classificou as falas de Wachowski como difamatórias, dizendo que comparações com episódios históricos de perseguição não deveriam ser feitas sem comprovação.

Reflexos na própria produção da HBO

A repercussão dividiu o público entre quem considera as declarações de Wachowski exageradas e quem concorda integralmente com a diretora. A polêmica também tem sido apontada como um fator de pressão sobre o elenco da série: especula-se que ela possa ter influenciado a saída de Nicholas Hoult do papel de Gilberto Lockhart na segunda temporada, substituído por Kit Harington.

Wachowski e os projetos que Hollywood recusou

Na mesma entrevista, a diretora aproveitou para falar sobre a dificuldade de emplacar histórias voltadas ao público queer e trans ao longo da carreira. Ela citou uma possível adaptação da HQ “Cosmoknights”, que teria produção de Amy Poehler, e uma tentativa frustrada de levar o best-seller “Manhunt”, de Gretchen Felker-Martin, às telas. Segundo Wachowski, nenhum estúdio topou avançar com os dois projetos apesar do reconhecimento crítico que ambos os materiais receberam.

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