VisionQuest precisa resolver a pendência que a Marvel deixou em aberto sobre Wanda

A Marvel Studios confirmou, na San Diego Comic-Con, que VisionQuest estreia no Disney+ em 14 de outubro. Junto veio um detalhe mais pesado do que parece: a produção promete encerrar a trilogia aberta por WandaVision e, especificamente, fechar a história de Wanda Maximoff. O problema é que essa promessa esbarra em uma pendência que o próprio estúdio nunca resolveu.

Uma morte que nunca foi confirmada

No desfecho de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, Wanda derruba o Monte Wundagore e destrói o Darkhold no processo — um gesto apresentado como sacrifício. O detalhe incômodo é que ninguém viu corpo algum: a morte jamais foi confirmada de forma direta pelo estúdio, e a cena deixa espaço de sobra para qualquer interpretação.

Muita gente acredita que Agatha Desde Sempre resolveu a dúvida, mas não foi bem isso: o feitiço que prendia a bruxa é quebrado pelo filho de Wanda, e não pela morte dela. A porta, portanto, seguiu entreaberta.

Por que a nova série não funciona sem essa resposta

O protagonista de VisionQuest é o Visão Branco, versão que perdeu boa parte da humanidade e ficou bem mais robótica que o original. A trama acompanha a busca dele por memória e por aquilo que o tornava mais do que uma máquina — e Wanda é a origem de tudo isso, porque foi ela quem deu ao personagem algo próximo de uma vida e de um afeto. Uma jornada em busca de humanidade sem passar por ela seria um roteiro furado.

A pendência, aliás, é reconhecida há tempos: o próprio Paul Bettany já observou que essa versão do personagem ficou sem desfecho ao fim da série original, comentário feito anos antes de qualquer anúncio de continuação.

Wanda Maximoff em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
Wanda Maximoff em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura — Reprodução/Marvel Studios

O argumento a favor da ambiguidade

Existe, porém, um risco na direção oposta que raramente entra nesse debate: cravar um destino definitivo fecha uma porta que o estúdio talvez prefira manter aberta, ainda mais às vésperas de uma reorganização de linha do tempo. Ambiguidade também é ferramenta narrativa legítima — nem toda ponta solta precisa de nó, e histórias que insistem em explicar tudo costumam perder mistério pelo caminho.

A diferença, neste caso, está no peso emocional. Não se trata de curiosidade de continuidade, e sim de uma personagem central deixada em suspenso depois de um arco inteiro de luto e perda.

A pressa que o contexto explica

Kevin Feige já indicou que Vingadores: Guerras Secretas funcionará como reorganização narrativa, simplificando a cronologia para o público novo. Levar uma pergunta antiga para dentro desse processo seria complicar justamente o que o estúdio pretende arrumar. Outras pontas soltas seguem sem previsão de resposta, como o paradeiro dos Eternos, mas a situação de Wanda parece bem mais simples de encerrar do que essas.

Na prática, espectadores que acompanham a franquia de forma casual saíram do cinema em 2022 sem saber se uma das protagonistas mais populares havia morrido. Quatro anos depois, seguem sem saber — e a expectativa de parte do público é ver Elizabeth Olsen em cena mais uma vez em outubro, ainda que nada tenha sido confirmado nesse sentido.

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