Nem toda reação ao painel foi de euforia. Uma análise mais fria mostra que a apresentação de “Vingadores: Doutor Destino” na San Diego Comic-Con 2026 expôs uma fragilidade: o filme acaba sendo vendido muito mais pela nostalgia do que pela própria história.
O argumento sobre a nostalgia
A observação parte de um fato concreto: os retornos de Robert Downey Jr. e Chris Evans são o principal chamariz da divulgação, e ambos subiram ao palco justamente para alimentar essa expectativa. Downey ainda brincou com a ideia de o público escolher um lado, em tom que remete a “Capitão América: Guerra Civil”. Some-se a isso a confirmação, feita no mesmo painel, de que Hayley Atwell volta a viver Peggy Carter, personagem cuja trajetória parecia encerrada.
A tese é simples: se os personagens novos e a trama sustentassem sozinhos o interesse, o estúdio não precisaria recorrer a tantos retornos de arcos já concluídos.
A segunda preocupação
O outro ponto levantado envolve o antagonista. O Doutor Destino é apresentado como ameaça de escala equivalente à de Thanos, mas o público praticamente não conhece o personagem em sua versão cinematográfica. Toda a construção dele estaria acontecendo dentro deste mesmo filme, que já carrega um dos maiores elencos da história do estúdio — desenvolver um vilão do zero nessas condições pressiona o ritmo e a estrutura da narrativa.

Há de se fazer uma comparação: Thanos apareceu aos poucos ao longo de anos, e sua motivação já havia sido explicada por Gamora antes mesmo do confronto principal. Quando o vilão finalmente agiu, o impacto daquele gesto funcionou porque o público já entendia quem ele era.
O contraponto
Há argumentos do outro lado. O novo vilão tem uma vantagem que Thanos nunca teve: o rosto do intérprete carrega mais de uma década de história afetiva com o público — o filme não precisa apresentar a presença, apenas o personagem. Existe ainda outra leitura possível: o fato de vários heróis nunca terem trabalhado juntos não é necessariamente uma falha de construção, e sim a premissa do próprio enredo. Reunir gente que não se conhece sob uma ameaça comum é o motor clássico desse tipo de história.
Vale observar que a discussão não é exclusiva deste filme. Franquias longas enfrentam sempre o mesmo dilema entre agradar quem acompanha desde o início e abrir espaço para nomes novos, e o acerto ou erro dessa dosagem só aparece depois da estreia, nunca antes.
Empolgou?
Outro dado ajuda a dimensionar a preocupação: nenhuma das duas metades do encerramento da saga foi vista por jornalistas até agora, e o material disponível se resume a trailers e a cenas selecionadas pelo próprio estúdio para o painel. Qualquer conclusão sobre ritmo ou estrutura parte de amostras escolhidas a dedo pela divulgação.
Vale a ressalva final: nada disso é crítica do filme, porque ninguém fora do estúdio assistiu a ele. “Vingadores: Doutor Destino” chega aos cinemas brasileiros em 17 de dezembro de 2026.
