Durante décadas, as grandes sagas do Espectro Emocional giraram quase exclusivamente em torno de uma única cor: o verde. Isso pode estar prestes a mudar. Publicações recentes da DC sugerem que a editora está ampliando o papel de todas as Tropas dos Lanternas, reunindo representantes de todo o espectro emocional numa mesma equipe — e reduzindo a dependência histórica da narrativa no Lanterna Verde como protagonista único.
Décadas de protagonismo verde
Eventos consagrados como Guerra da Tropa dos Sinestro, A Noite Mais Densa, O Dia Mais Claro e A Guerra dos Lanternas Verdes sempre colocaram Hal Jordan e sua tropa no centro absoluto dos acontecimentos, mesmo em histórias nas quais outras corporações também desempenhavam papéis relevantes. Esse padrão editorial vigorou por praticamente toda a história moderna da franquia.
A virada em Tropa dos Lanternas Verdes #18
Esse cenário começa a mudar em Tropa dos Lanternas Verdes #18. Depois de assumir o papel de All-Sight, Guy Gardner reúne representantes de todas as manifestações do Espectro Emocional para proteger as entidades emocionais da ameaça representada pelos Caçadores. Jessica Cruz questiona a estratégia dentro da própria trama, mas a iniciativa em si já representa uma das maiores integrações já vistas entre as diferentes tropas nos quadrinhos. Até a capa principal da edição reforça essa proposta, destacando lanternas de diversas cores lutando lado a lado na mesma cena.
A mesma ideia aparece em Supergirl: Survive
O movimento não fica restrito a uma única série. Em Supergirl: Survive, a DC apresenta outra formação com integrantes de diferentes tropas — incluindo Saint Walker, representante dos Lanternas Azuis, o lendário Abin Sur, e membros de outras corporações do Espectro Emocional.

Mesmo enfrentando dificuldades contra Lobo e um grupo de caçadores de recompensas czarnianos, a missão dessa equipe demonstra que facções historicamente rivais passaram a cooperar diante de ameaças de escala cósmica. O fato de duas publicações distintas explorarem praticamente a mesma ideia ao mesmo tempo é um indício forte de que se trata de um novo direcionamento editorial deliberado, e não coincidência.
Um espectro emocional com protagonismo dividido
Se a DC mantiver essa abordagem, o universo dos Lanternas pode se tornar consideravelmente mais amplo. Em vez de concentrar os grandes eventos exclusivamente nos Lanternas Verdes, cada corporação ganharia espaço para desenvolver sua própria mitologia, seus próprios conflitos internos e personagens recorrentes. Isso abriria caminho para histórias centradas nos Lanternas Azuis reconstruindo mundos devastados, nas Safiras Estelares mediando conflitos interestelares, ou até numa expansão dos Lanternas Amarelos além do papel tradicional de antagonistas da série.
Outras tropas menos exploradas, como os Lanternas Laranja, os Lanternas Brancos e os Lanternas Negros, também poderiam ganhar mais destaque em narrativas próprias, explorando diferentes ângulos do Espectro Emocional que até agora ficaram em segundo plano.
O verde continua no centro — só que menos sozinho
Mesmo com essa possível expansão, os Lanternas Verdes seguem ocupando uma posição fundamental dentro da mitologia. A força de vontade continua sendo a emoção responsável por equilibrar as demais energias do Espectro, o que justifica o papel de destaque histórico da tropa. A diferença é que, daqui para frente, as grandes histórias podem passar a dividir espaço entre várias corporações ao mesmo tempo, abrindo novas possibilidades para sagas de escala cósmica. A estreia de Tropa dos Lanternas Verdes #18 pode ser apenas o primeiro passo dessa transformação editorial mais ampla.
