Kang está em X-Men ’97: a Marvel errou em cortá-lo do MCU?

A volta surpresa de Kang, o Conquistador em outra mídia reacendeu uma discussão que boa parte do fandom nunca deixou esfriar de vez: será que a Marvel Studios tomou a decisão errada ao abandonar a Saga do Multiverso centrada nesse vilão? Sua reaparição marcante em X-Men ’97 reforça a tese de que sim — e de que essa escolha pode custar caro ao futuro do UCM.

O plano ambicioso que ficou pelo caminho

Por um bom período, praticamente tudo no MCU parecia convergir para um único ponto de chegada. Kang foi construído deliberadamente como uma ameaça ainda maior do que Thanos jamais representou, com sua importância reforçada tanto em Loki quanto no anúncio de Vingadores: Dinastia Kang, feito na San Diego Comic-Con de 2022.

O cenário virou de cabeça para baixo em 2023. Depois dos problemas jurídicos que tiraram Jonathan Majors do papel, a Marvel optou por não recastar o personagem — e redirecionou toda a narrativa para o Doutor Destino como nova grande ameaça, movimento reforçado pela confirmação do retorno de Robert Downey Jr. agora no papel do vilão, conduzindo o universo até Vingadores: Doutor Destino.

X-Men ’97 mostra o que ficou na mesa

Foi justamente a nova temporada da animação que trouxe o assunto de volta à tona. No segundo episódio, a origem do vilão Apocalipse é apresentada como obra de Rama-Tut, uma variante clássica de Kang situada no Egito Antigo — um Kang retratado como ameaça genuína, forte o bastante para conquistar territórios inteiros e ameaçar diretamente os X-Men.

O faraó Rama-Tut, variante de Kang em X-Men 97 – Reprodução/Marvel Studios
O faraó Rama-Tut, variante de Kang no antigo Egito – Reprodução/Marvel Studios

A cena funciona quase como um retrato do potencial que ficou pelo caminho. Afinal, a cena pós-créditos de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania já havia apresentado o Conselho dos Kangs, sinalizando um universo inteiro de possibilidades sendo montado com cuidado — algo que gerava expectativa real entre os fãs, em boa parte pelo carisma que diferenciava Kang de vilões anteriores como Thanos.

Trocar de ator era mais simples do que parecia

O ponto mais frustrante da discussão é que a solução estava relativamente à mão. Recastar o papel não seria um processo tão traumático, já que Jonathan Majors tinha pouco tempo de tela acumulado no papel. E a própria natureza multiversal do personagem justificaria uma troca de rosto sem grandes esforços de roteiro — recurso que a série Loki já havia normalizado ao apresentar diferentes variantes do mesmo ser.

Rama-Tut, Immortus e o Centurião Escarlate – variantes de Kang no MCU – Reprodução/Marvel Studios
Rama-Tut, Immortus e o Centurião Escarlate, variantes de Kang no MCU – Reprodução/Marvel Studios

Trocar o vilão principal por Doutor Destino trouxe um problema colateral: o público teve pouquíssimo tempo de convivência com essa nova ameaça antes da chegada de Vingadores: Doutor Destino nos cinemas. Some-se a isso o risco de transformar Robert Downey Jr. — eternamente associado ao Homem de Ferro — em antagonista. Por maior que seja a expectativa em torno do filme, ainda paira a dúvida se esse entusiasmo vem realmente da nova história ou apenas do apelo nostálgico de ver rostos familiares de volta.

Vale reforçar que se trata de uma leitura crítica, não de qualquer posicionamento oficial do estúdio. O que fica evidente é que X-Men ’97 provou, na prática, que Kang ainda tinha muito a oferecer ao universo Marvel — e que abandoná-lo talvez mereça, no mínimo, uma reavaliação mais cuidadosa.

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