Em 1992, muito antes de Cell se tornar um dos vilões mais lembrados de Dragon Ball Z, Akira Toriyama passou por um longo processo de tentativa e erro até fechar a aparência definitiva do androide. Esse material ficou guardado por mais de três décadas — até agora. O site oficial da franquia, em conjunto com a Shueisha, publicou na seção Toriyama Archives uma leva de esboços inéditos que mostra exatamente esse caminho.




O que os rascunhos mostram
Um dos desenhos chama atenção especial: um Cell imperfeito, com pose encurvada e uma espécie de casco protuberante nas costas, bem distante do design final mais esguio que os fãs conhecem. Em outro esboço da mesma leva, o androide aparece quase idêntico à sua forma perfeita clássica, só que com asas visivelmente menores e ainda com cauda — um detalhe que acabou sendo removido na versão que chegou ao público.
Há ainda variações no rosto: em alguns rascunhos, Toriyama testou feições mais humanas, com olhos afiados, tentando equilibrar a ferocidade de um monstro criado em laboratório com uma expressão que transmitisse arrogância e inteligência. O acompanhamento oficial que veio junto às imagens resume bem o tamanho desse esforço:
A enorme quantidade de esboços feitos para o Cell demonstra o quanto se pensou em seu design, sendo que os desenhos aqui apresentados estão particularmente próximos do resultado final.
Vale lembrar que o Cell final resultou da fusão entre elementos de diversas criaturas — incluindo os próprios Saiyajins — o que ajuda a explicar por que tantas variações precisaram ser testadas antes de chegar num visual que parecesse, ao mesmo tempo, orgânico e ameaçador.
Por que Cell continua sendo um vilão à parte
Diferente de muitos antagonistas de Dragon Ball, Cell não nasceu de uma ameaça externa: ele é produto direto da ciência terráquena, criado pelo Dr. Gero a partir do DNA de guerreiros como Goku, Vegeta, Piccolo e outros nomes de peso. O resultado foi um ser projetado desde o início para superar todos eles, capaz de evoluir de forma imperfeita para semi-perfeita e, por fim, para sua forma perfeita ao absorver outros androides. Esse ciclo de transformação é o que sustenta boa parte da tensão da Saga Cell até hoje.
A publicação desses rascunhos não é aleatória. Com o retorno do mangá de Dragon Ball Super — que caminha para o Arco de Moro — e o remake anunciado Dragon Ball Super: Beerus já no radar dos fãs, revisitar o processo criativo de Toriyama funciona como uma forma de manter viva sua contribuição à franquia, mais de dois anos após sua morte, em março de 2024.
